08 de julho de 2026
Geral

Interatividade é o grande avanço do novo sistema

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A interatividade que será proporcionada pelo sistema de transmissão digital foi apontada por especialistas em TV consultados pelo JC como o principal avanço.

Para o jornalista Luís Victorelli, a TV tem de ser um instrumento de cidadania e a interatividade poderá proporcionar isso, desde que usada de forma adequada. “Vai ser pouco se mudar apenas a qualidade da imagem”, comenta. Na opinião dele, a nova tecnologia poderá também melhorar a qualidade da programação.

Para o professor Willians Balan, que trabalha com pesquisas envolvendo o sistema digital, a interação que será oferecida pela “nova TV” vai muito além do que escolher o próximo eliminado do “Big Brother”.

Outra espécie de interação citada por Balan é a que vai permitir ao telespectador interromper a transmissão de um determinado programa e voltar a assisti-lo do mesmo ponto onde parou. É provável que essas funções sejam executadas com o uso do controle remoto. No Japão, segundo Balan, a própria TV ensina o telespectador a usar o controle.

Apesar das novidades, Victorelli acredita que a população não terá dificuldades para se adaptar. Quanto à qualidade da imagem, o jornalista lembra que não haverá mais meio-termo. A imagem será boa ou não haverá imagem. “Será o fim dos chuviscos”.

Regulamentação

As emissoras de TV que possuem retransmissoras em Bauru aguardam a regulamentação do decreto que escolheu o ISDB como padrão de TV digital para o Brasil. Só depois disso elas terão condições de planejar a adequação ao sistema.

O gerente de engenharia da rede TV Tem, Renato Favilla, diz que ainda não há previsão de quando a emissora começará a transmitir no sistema digital. A transição dentro da Rede Globo deverá começar pela Capital paulista. Depois, será estendida para outras capitais e, na seqüência, para cidades com mais de 500 mil habitantes.

Em Bauru, de acordo com estimativas preliminares, a transmissão só passará a digital em 2009. “Pode ser que seja antecipado. Enquanto não sair a regulamentação não tem como falar muita coisa”, diz Favilla.

De acordo com o supervisor técnico da Record, Luís Gustavo Lopes, a emissora ainda não fez uma planilha de gastos, mas estima-se que o investimento inicial em Bauru seja em torno de R$ 1,5 milhão. A emissora iniciará a compra dos novos equipamentos a partir do momento que o governo definir as normas complementares.

A previsão é de que a Record de São Paulo comece a transmitir no sistema digital a partir do ano que vem.

Na TV Preve, a situação é idêntica. Ninguém sabe quando a emissora entrará na era digital. Segundo o diretor-executivo Samuel Ferro, primeiro será preciso “digitalizar” os equipamento internos para depois pensar na digitalização do sinal.

O diretor-geral da TV FIB, José Ranieri Neto, afirma que por se tratar de uma emissora universitária, a responsabilidade pela transmissão do sinal é da operadora de TV a cabo. Por isso, acredita que nada deve mudar a curto prazo.

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TV de plasma

Ao contrário do que podem pensar alguns consumidores, os televisores de plasma ou LCD não estão preparados para receber imagem digital. A exemplo dos aparelhos convencionais, estes também precisarão de um conversor para poder exibir a imagem pelo novo sistema.

A TV de plasma foi um dos eletroeletrônicos que mais vendeu antes da Copa do Mundo. No ano passado, foram vendidos 58 mil aparelhos, entre plasma e cristal líquido. De janeiro a abril deste ano, a venda chegou a 80 mil aparelhos.

No entanto, alguns consumidores se sentiram enganados e acionaram a Justiça. A maior parte das reclamações foi devido à qualidade da imagem. Eles acreditavam que ela teria qualidade digital independente do canal, mas isso só ocorria quando se assistia a um DVD ou a alguns canais de TV paga que possuem imagens com ótima resolução.

O advogado Rafael Panichi, 30 anos, foi um dos que compraram uma TV de plasma antes da Copa do Mundo. Segundo ele, a propaganda que foi feita sobre o produto realmente dá margens a interpretações dúbias. “Passa a impressão de que as imagens são digitais”, reconhece.

Mesmo assim, Panichi diz que comprou o produto sabendo das limitações que tinha. Segundo ele, antes da compra procurou informações na Internet e com amigos e ficou sabendo que a TV não era tudo aquilo que a propaganda dizia ou induzia o consumidor a pensar.

As telas das TVs de plasma são em widescreen, com formato 16x9, mais largas que as imagens transmitidas pela TV aberta. O consumidor pode alongar a imagem para ocupar a tela toda, mas ela fica um pouco distorcida. Se for assistir no formato original, ficam faixas pretas nas laterais.

Panichi costuma assistir à TV com a imagem preenchendo toda a tela. Mesmo com uma pequena distorção, ele diz que ficou satisfeito com a qualidade.