08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A rosa e o jurígeno


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Recentemente, as mulheres conquistaram mais um direito. O governo aprovou a lei que aumentará de um para até três anos a detenção para o homem que agredir sua esposa. Além disso, o rapaz que antes era denunciado e podia estar em liberdade pagando uma multa ou cestas básicas perde esta regalia. A agredida também só poderá retirar sua queixa perante um magistrado.

A agressão ocorre de forma absurda e, muitas vezes, na frente dos filhos do casal, o que gera traumas futuros. Horas antes de o marido chegar, a mulher já inicia seu estado de pânico. Comida na mesa – sem a ajuda dele para comprá-la - filhos de banho tomado – de preferência já dormindo – e ainda assim a tão atarefada mulher corre o risco de ser espancada pelo marido bêbado, que chega em casa resmungando do sabor da comida; do filho que ainda não tomou seu banho e outras minúcias. O humor deste “marido” é uma variável que mantém os nervos de sua esposa constantemente à flor da pele.

Como se não bastasse tamanha atrocidade, aquele mesmo monstro que exige de tudo, deita-se e exige um pouco mais. Antes era amor, agora sexo, e sem nenhuma vontade por parte dela, mas violência e arrogância daquele que no dia seguinte vai querer novamente a atuação de sua esposa.

Só no estado de Pernambuco foram mais de duzentas mortes de mulheres agredidas pelo marido no primeiro semestre deste ano. Estes dados apenas confirmaram a necessidade de uma maior firmeza da Justiça perante estes criminosos, mas, ainda assim, falta algo.

Neste momento, o grande medo da mulher se concentra no pós-denúncia. Mover-se até a delegacia e queixar-se é a sua primeira prova de fogo. Lá, a perícia examina as marcas deixadas pelo algoz – puxadas de cabelo e outras agressões não visíveis são descartadas. O mais árduo momento é voltar deste mesmo local e abrir as portas de sua própria casa ficando frente a frente com o aracnídeo que, depois de consumado o ato, prefere matar a esposa, neste caso, de desgosto.

Renan dos Reis M. Chaves, estudante, e Wagner Teixeira, professor