08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Obrigado, Noroeste


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Quando eu era pequeno sempre escutava das pessoas um velho ditado: ”Deus escreve certo em linhas tortas”, e ficava pensando o que será que aquela frase tinha a me dizer.

Hoje, anos após, sinto na pele o seu significado. Nasci na cidade de Lins, de um clube chamado Associação Atlética Linense, de cores vermelhas e brancas. E, por coincidência, ou coisas do destino, aprendi a amar exatamente a 100 km dali o Esporte Clube Noroeste, das mesmas cores da equipe de minha cidade natal. Desde pequeno eu freqüentava o estádio Alfredo de Castilho, em companhia de meu pai. Dali em diante me apaixonei pela maquininha vermelha, um clube de muita tradição de uma torcida apaixonada e vibrante.

Hoje relembro com saudade de minha infância, de comer amendoim no lado dos eucaliptos, de escutar a partida em um velho radio grande da cor preta, oh saudade...

Mas tive momentos de tristeza e me recordo de uma deles, que jamais esquecerei: em uma segunda, de manhã, estava indo pra escola, como sempre de costume peguei o jornal pra ler e vi uma notícia que me entristeceu muito - “Em campanha medíocre, Noroeste foi rebaixado a série A3”. Lembro que escutava a partida naquele meu velho rádio, e, ao término da partida, comecei a chorar, e minha mãe dizia:

-Filho, pára de chorar, isso é besteira!

Aquilo me tocou, e de lá pra cá, como um passe de mágica, meu amor pelo Noroeste aumentou e muito, começava realmente a entender melhor, a sofrer, como um verdadeiro noroestino. Anos mais tarde as coisas haviam piorado, o clube corria risco de fechar, de nunca mais existir, como se parte da minha infância fosse ficar eternamente nas entrelinhas de uma triste lembrança, e meu pai dizia: "É, filho o Noroeste deve fechar!"

Que momento de tristeza, de um aperto em meu coração, mas sabia que aquele mesmo ditado que citei logo no começo voltaria a me trazer novamente um ensinamento: o renascer das cinzas do Esporte Clube Noroeste, que da água para o vinho, graças a um senhor chamado Damião Garcia, me trouxe novamente as alegrias da infância, de ir ao estádio aos domingos depois de um almoço com a família. Meu Deus, que felicidade, hoje posso dizer que sou um homem realizado, apesar da pouca idade, hoje morreria feliz, pois fiz da minha vida um amor eterno pelo Noroeste, que me deu a felicidade, o sentimento de amar, de torcer loucamente. Obrigado, Noroeste, obrigado Bauru por me acolher.

Francisco Estevão Viola Nishihara, 17 anos - Bauru-SP