09 de julho de 2026
Política

‘Congresso precisa ser moralizado’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Candidatos a cargos eletivos têm diferentes visões sobre o mesmo problema e diferentes motivações para disputar uma eleição. No caso do ex-prefeito de Bauru Antônio Tidei de Lima, candidato a deputado federal pelo PV, a motivação principal é a moralização do Congresso Nacional. Remanescente de uma época em que as liberdades eram suprimidas pelo regime militar, Tidei alega que quem conviveu na Câmara dos Deputados neste período e vê como está a situação do Legislativo Federal atualmente, fica envergonhado. “O Congresso Nacional precisa ser reerguido moralmente”, afirmou.

Tidei lembra figuras como Ulysses Guimarães e Petrônio Portela, entre outros, para ilustrar a qualidade que o Congresso tinha naquela época. Para ele, se os escândalos continuarem ocorrendo da forma que estão, o desfecho pode ser trágico para o Brasil. “O Congresso está desmoralizado, e se continuar como está, pode ser o fim da democracia”, disse.

Para ele, não ocorreu ainda um problema mais sério, com relação ao regime político, porque os militares estão fora da política. “Se houvesse a politização das Forças Armadas, nós já teríamos tropas na rua, pelo menos, já teríamos manifesto de comandantes militares, isso eu não tenho dúvida”, afirmou.

Representatividade

Outra motivação é a falta de representatividade de Bauru e região em Brasília. Segundo Tidei de Lima, o deputado tem a função legislativa e representativa. “Isso significa representar a região e buscar resolver os problemas que a base eleitoral tem e podem ser resolvidos na área federal”, disse.

De acordo com ele, a maioria das regionais do governo federal, ou de repartições federais, tem base em Bauru. Tidei lembra que a cidade já foi pólo das representações federais e pode voltar a ser, caso consiga ter um representante no Congresso Nacional.

Ele cita como exemplo a situação da ferrovia na cidade. “Se nós tivéssemos um deputado federal, teríamos resolvido as questões trabalhistas dos ferroviários de outra forma, sem precisar vender o patrimônio da ferrovia”, coloca.

Para o candidato, Bauru tem, entre outras vantagens, condições estratégicas e infra-estrutura suficiente para se tornar esse pólo de representações, e a infra-estrutura – na área rodoviária, de telecomunicações, na área de serviços – pode ser utilizada.

Sem retorno

O ex-prefeito Tidei de Lima não pensa em voltar a ocupar o cargo de chefe do Executivo Municipal. Para ele, a experiência que teve como prefeito bastou. A intenção é vencer as eleições de outubro e seguir como deputado federal. “Quero ajudar minha cidade, mas como deputado. Não penso em ser prefeito novamente, e nem tenho essa disposição”, ressaltou.

De acordo com ele, a administração municipal carece de gente nova com a mente aberta, para fugir dos vícios políticos. “Aqueles que já estão viciados nos pensamentos têm que buscar outros setores, representar certas parcelas da população. Eu não tenho mais essa pretensão”, frisa, afirmando que seu futuro político se restringe a representar Bauru e região na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Sobre a hipótese de não ser eleito, Tidei não quis comentar. Ele acredita que por fazer parte de um partido de menor expressão, terá menos dificuldade que outros candidatos para se eleger. Para ele, serão necessários cerca de 50 mil votos para o PV eleger um deputado federal. “Acho que o partido vai eleger cinco deputados federais e nós temos condição de estar entre esses”, afirmou.

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Efeito viaduto

Um dos problemas que perseguem o ex-prefeito é a obra do viaduto sobre a ferrovia, que começou em seu governo e não foi terminado. Tidei afirma que já pagou o preço político de não ter concluído a obra. Basta lembrar que, na eleição de1998, ele teve pouco mais de 25 mil votos para deputado federal em Bauru, mesmo cargo que pleiteia nas eleições deste ano.

No entanto, o candidato acredita que desta vez será diferente, já que a maioria das pessoas já se deu conta que os problemas posteriores com a obra não foram causadas na sua gestão como prefeito. “Hoje ainda atrapalha um pouco, mas muito menos do que antes. Com o passar do tempo o eleitor vai percebendo o que é verdade e o que é picuinha política e eu acho que hoje resta muito pouco de picuinha política. Eu ainda encontro gente que pergunta: ‘escuta, onde foi parar o dinheiro do viaduto?’, porque é gente que está mal informada”, frisou.

Ele argumenta que a obra foi feita com critério econômico, aprovada pela Câmara Municipal de Bauru, pela Comissão de Finanças e Orçamento do Senado, sendo votado e aprovado em plenário por todos os senadores, e pelo Banco Central. “A prefeitura tinha capacidade para solicitar o empréstimo. Capacidade que nós demos para a prefeitura, e quando nós saímos, ela tinha uma arrecadação de US$ 110 milhões”, conclui.