10 de julho de 2026
Geral

Para ambientalista, aqüífero pode ser afetado com o fim da vegetação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O desaparecimento do cerrado pode significar muito mais do que a morte do segundo maior bioma brasileiro. Ele pode interferir também na sobrevivência do Aqüífero Guarani, que depende desse tipo de vegetação para reabsorção da água.

O alerta é feito pelo ambientalista Rodrigo Agostinho, do Instituto Ambiental Vidágua. Segundo ele, o solo arenoso, onde cresce o cerrado, serve como uma espécie de esponja, que facilita a infiltração da água da chuva e ajuda na recarga do aqüífero.

“Se queremos continuar explorando água subterrânea, vamos precisar dessas áreas de recarga. Caso contrário, vamos depender da água dos rios para o abastecimento e quase todos estão contaminados”, lembra Agostinho.

Em Bauru, mais da metade da água consumida é subterrânea. Na região, apenas Duartina e Lençóis Paulista utilizam água de superfície. O Aqüífero Guarani é a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aqüíferos do mundo, ocupando área total de 1,2 milhão de quilômetros quadrados.

Na avaliação do ambientalista, o cerrado ainda tem boa presença em Bauru porque o solo é muito pobre. “Quem investe em agricultura vai plantar em outra cidade, onde existe terra roxa.”

Segundo ele, o problema em Bauru está na expansão urbana. A cidade está crescendo e as áreas mais valorizadas são justamente as que têm matas. O desafio, segundo Agostinho, é garantir o desenvolvimento da cidade e ao mesmo tempo preservar as áreas de cerrado que ainda restam.

Ele cita como exemplo o prolongamento da avenida Getúlio Vargas e a expansão da Vila Aviação e do Jardim América. “Foi tudo em cima de áreas de cerrado.” A informação é contestada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alexandre Barbieri. Segundo ele, o último desmatamento feito na área urbana foi para a abertura de um loteamento próximo ao Cemitério do Ipê. Barbieri não soube dizer ao certo em que ano isso ocorreu, mas garante que foi há muito tempo.

De acordo com ele, atualmente Bauru é considerado um exemplo quando o assunto é preservação de matas. O secretário citou a visita recente de autoridades ambientais do Egito para justificar a afirmação.

O cerrado de Bauru é mais conhecido como cerradão, por misturar espécies típicas da mata atlântica com espécies do cerrado. Segundo Agostinho, pesquisa recente do Instituto Vidágua detectou uma grande quantidade de animais vivendo em áreas bem próximas da cidade. Em Agudos, no trecho de mata ocupado pela Ambev, é possível encontrar até mesmo onça parda. Três delas foram atropeladas recentemente na região. Em novembro do ano passado, uma onça de 70 quilos morreu ao ser atingida por um veículo entre Duartina e Lucianópolis.

Para a analista ambiental Lélia Lourenço Pinto, chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Bauru, a presença desses animais indica que ainda existe um equilíbrio ambiental na região, o que possibilita a sobrevivência de um predador carnívoro como a onça.