Bagdá - Homens armados, alguns escondidos sobre telhados, prepararam uma emboscada para milhares de peregrinos xiitas que participavam de uma caminhada rumo a um santuário em Bagdá, matando 20 pessoas e ferindo até 300, segundo informaram oficiais iraquianos.
“A maioria dos ataques ocorreu quando os peregrinos cruzavam áreas vizinhas a Kadhimiya”, disse Qasim Yahya Allawi, porta-voz do Ministério da Saúde, referindo-se ao subúrbio localizado no norte da Capital, onde o santuário é o ponto principal da cerimônia religiosa, que dura dois dias.
A segurança foi reforçada para diminuir os riscos de um conflito sectário manchar o festival, cuja história já é sangrenta. No ano passado, o boato de que havia um homem-bomba na multidão criou um tumulto no qual cerca de mil pessoas morreram pisoteadas, esmagadas e afogadas em um rio na região - crianças e mulheres, na maioria.
Ataques foram registrados no oeste e no norte da cidade, enquanto imagens exibidas pela TV mostravam guardas sobre os telhados de um prédio do governo trocando tiros com insurgentes.
A polícia iraquiana e o Ministério do Interior apontaram um número menor de mortos: oito, mais 90 feridos. Depois da emboscada, foram registrados conflitos armados nos subúrbios de Bagdá. A polícia criou corredores de segurança que levavam ao templo e solicitou aos peregrinos que usassem apenas as rotas designadas.
O enorme número de pessoas nas ruas, porém, fez com que muitos buscassem caminhos alternativos para chegar ao santuário e acabassem atingidos por disparos. O ministro da Defesa, general Abdul Qader Jassim, disse que 30 suspeitos foram presos, incluindo ao menos cinco árabes não-iraquianos, e que 14 policiais se feriram.
A violência sectária -entre a maioria árabe xiita e a minoria árabe sunita, que detinha o poder sob Saddam Hussein - vem matando dezenas de iraquianos por dia. A situação leva alguns analistas a afirmarem que o país já está em guerra civil, e retarda a saída dos mais de 130 mil soldados que os EUA mantêm no Iraque desde a invasão do país, em março de 2003.