10 de julho de 2026
Internacional

Cessar-fogo pode abrir ‘abismo de violência’ no Líbano, alerta a ONU

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ontem que o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah pode facilmente cair em “um abismo de violência e derramamento de sangue” se os termos da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança sobre o tema forem violados.

O enviado especial da ONU ao Líbano, Terje Roed-Larsen, disse que a trégua deu ao governo libanês uma boa chance para ampliar sua autoridade sobre todo o país, mas alertou para o fato de a situação ainda ser delicada. “Isso pode facilmente começar a piorar novamente e nos levar rapidamente para um abismo de violência e derramamento de sangue”, declarou Roed-Larsen em Beirute, antes de partir para Israel.

O diplomata norueguês indicou também que qualquer ofensiva similar promovida por Israel apenas irá desencorajar os países comprometidos com a Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) a enviar mais tropas ao sul do Líbano.

O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, anunciou ontem que Israel impedirá o deslocamento do Exército libanês nas áreas mais próximas à fronteira enquanto as tropas do Líbano não forem apoiadas por uma força multinacional.

Peretz advertiu que as Forças Armadas devem se preparar “para um segundo turno” contra o grupo terrorista libanês Hizbollah, informaram fontes do governo. Em vigor há quase uma semana, o cessar-fogo entre Israel e Hizbollah parece cada vez mais frágil.

Anteontem, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que estava “profundamente preocupado” com a violação, por parte de Israel, do cessar-fogo no Líbano. O ministro libanês da Defesa, Elias Murr, afirmou ontem que qualquer violação do cessar-fogo no sul do Líbano será considerada um ato de traição.

Convocação

O ministro francês de Assuntos Exteriores, Philippe Douste-Blazy, pediu hoje a convocação de uma reunião da União Européia (UE) para que os membros do bloco esclareçam que tipo de contribuição darão à Força Interina da ONU para o Líbano (Unifil).

Em declarações à emissora de rádio France Info, Douste-Blazy disse que conversou com seu colega da Finlândia, Erkki Tuomioja, cujo país exerce a Presidência semestral da UE, para pedir a convocação de uma reunião na qual os 25 membros fixem sua posição sobre uma eventual participação na Unifil. A meta é que os europeus coordenem suas contribuições nacionais à Unifil.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, pediu ontem que a Itália lidere as forças de paz da ONU no Líbano. O pedido foi feito em uma conversa por telefone entre Olmert e o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, de acordo com comunicado oficial do gabinete do premiê israelense.

Na opinião de Olmert, a França aparentemente está se recusando a comandar as forças da ONU. Isso porque, ontem, após anunciar o envio de 200 militares à região, o ministro francês de Assuntos Exteriores, Philippe Douste-Blazy, pediu a convocação de uma reunião da UE para que os membros do bloco esclareçam que tipo de contribuição darão à Unifil.

“Há uma primeira fase de urgência, que deve ser colocada em prática, como fez a França com o envio de 200 soldados, e uma segunda etapa para estabelecer o número definitivo de militares que serão enviados”, disse o chefe da diplomacia francesa.