09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os desafios vão além do que se vê


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Vivemos mais um momento de efervescência política em que se acirra o debate sobre temas de interesse nacional e torna mais evidente a disputa entre dois projetos de País, que de comum só têm a linha que separa o que é de interesse das oligarquias e o que é de interesse dos setores populares, como as próprias pesquisas revelam o recorte de classe existente entre as duas principais candidaturas à presidência da República.

O que pode parecer um momento de elevação da consciência política é também um momento de surgimento de alguns espectros da despolitização, que assombram a consciência de quem deve participar do momento mais decisivo para os rumos do nosso país.

Tais espectros se apresentam de variadas formas e em diferentes lugares. Há casos em que eles aparecem até em forma de “voto nulo”, o que revela não somente a falta de esperança mas, a falta de aptidão para as mudanças, a falta de compreensão do processo de transformação histórica e falta de gratidão àqueles que deram a vida pela conquista do direito de eleger e ser eleito pelo voto popular.

Nos últimos tempos é o “bairrismo” o grande inimigo da discussão política qualificada e propositiva. Inimigo por que nos tira do centro do debate de projeto. Inimigo por que reduz ao limitado patamar da perspectiva local a discussão que é de interesse de um Estado ou de um país. Inimigo, por que ao invés de valorizar o exercício da participação política, reprime o despertar do interesse pelo debate de idéias.

Onde há vinte candidatos disputando uma vaga, seja para o parlamento estadual ou federal, há vinte possibilidades de se discutir sob vinte perspectivas diferentes, ou não, as soluções dos problemas que afligem o povo do nosso estado e do nosso país. Se nenhum deles obtiver votos suficientes para se eleger, nos restará a tarefa de avaliar. Identificaríamos vários elementos que não permitiriam a eleição de um desses vinte candidatos, como identificaríamos elementos que permitiriam a eleição de até mais de um.

É preferível não eleger um candidato da nossa cidade a eleger a partir de uma situação falsa e artificialmente forjada para contemplar a critérios que não correspondem com os desafios que estão impostos para o estado de São Paulo e para o Brasil. Seria muito mais educativo e valioso em períodos como esse debater mais seriamente os valores e a estrutura da nossa democracia, de modo que as pessoas pudessem compreender dentre outras coisas, que a um deputado não cabe legislar para uma cidade.

Rafael Gomes de Jesus - dirigente da União da Juventude Socialista-SP - RG 34.979.430-3