09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Nos grilhões do ciúme


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É surpreendente a grandiosidade do laboratório sentimental dos seres humanos. Mergulhada em um tubo de ensaio, a alma humana passa por diversas experiências, comprovando a nossa condição diferencial de outros animais. Essa complexidade, entretanto, nos determina antíteses emocionais, fazendo com que nossos sentimentos estejam em constante conflito. Não poderia ser diferente com o amor, o mais nobre e comum dos sentimentos humanos, ao qual se relaciona a presença natural e perigosa do ciúme.

Por razões instintivas de um relacionamento, como a entrega total à pessoa amada, a fidelidade e a confiança, o amor necessita de uma constante correspondência, abrindo caminho para o ciúme natural e harmonioso. A vida amorosa do casal agradeceria se tudo findasse nesse patamar. No entanto, o ciúme pode crescer descontroladamente e passar a ser um fator de repulsão entre namorados.

Vários motivos explicam o ciúme exagerado de algumas pessoas. Relações inseguras ou inconsistentes, nas quais não há sentimentos correspondidos, por exemplo, estão mais propensas a experimentar um ciúme amargo. Há a questão do desequilíbrio psicológico, que leva o enciumado a atitudes radicais, e também influências da mídia, cujas novelas são temperadas com enredos conflituosos. O que dizer, então, do materialismo do mundo atual, o qual reifica o ser humano, tornando-o um objeto, acentuando seu egoísmo e modificando suas relações?

O ciúme desmedido é incompatível com o bom relacionamento humano, na medida em que desrespeita as liberdades individuais e escraviza a pessoa amada, sendo condenável como qualquer outro exagero. Devemos retomar, assim, à premissa de nossos sentimentos conflitantes, a qual demonstra a importância do equilíbrio emocional. Segundo Drummond: “Tenho duas mãos e o sentimento do mundo”. Cabe a nós buscarmos a sobriedade em meio a tanto sentimento!

Rafael Bispo Pachoalini - estudante da terceira série do ensino médio - RG 41.801.530-2