Beirute - A Itália se ofereceu para substituir a França na liderança da força multinacional da ONU que será enviada ao Sul do Líbano para garantir o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hizbollah. A oferta, feita a pedido do Líbano e de Israel, pode resolver o impasse diante da criação da missão de paz, o principal ponto do acordo que pôs fim a 34 dias de combates.
Ontem, em mais uma demonstração da fragilidade da trégua, três membros do Hizbollah foram mortos por Israel. A proposta italiana foi feita pelo primeiro-ministro do país, Romano Prodi. Segundo ele, uma decisão final será tomada até o fim desta semana.
A falta de clareza do mandato da missão levou a França, inicialmente apontada para liderá-la, a expressar dúvidas sobre o envio de soldados.
Até agora o país só mandou 200 soldados adicionais, frustrando a expectativa de enviar até 4 mil homens. A Itália prometeu contribuir com tropas se outros países europeus fizerem o mesmo e se as regras da missão forem esclarecidas.
O governo libanês elogiou a oferta italiana de contribuir com 3 mil soldados, a maior feita até agora por qualquer país. Israel já havia manifestado apoio a uma força liderada pela Itália. De acordo com a resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU, que estabelece a trégua, a missão terá 15 mil homens do Exército libanês e o mesmo número de capacetes azuis.
Enquanto a força da ONU não chega, os confrontos, ainda que em pequena escala, continuam. Segundo o Exército israelense, os três guerrilheiros do Hizbollah mortos ontem se aproximaram ”de forma ameaçadora” da fronteira.
Centenas de reservistas recém-chegados do Líbano protestaram ontem em Jerusalém contra a forma com que o governo de Israel conduziu a ofensiva contra o Hizbollah. Eles exigiram a demissão do premiê Ehud Olmert e a criação de uma comissão independente de investigação.