10 de julho de 2026
Regional

Caso de raiva em morcego coloca em alerta Vigilância em Saúde de Botucatu

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A equipe de Vigilância em Saúde Ambiental de Botucatu deve finalizar até quinta-feira a operação bloqueio após o registro do terceiro caso no ano de morcego positivo para raiva na cidade (100 quilômetros de Bauru). O animal foi encontrado, na última sexta, caído nas proximidades da Praça Dom Luiz Maria de Santana.

As atividades de bloqueio vão atingir um raio de 500 metros. Todos os cães e gatos das proximidades de onde o morcego foi encontrado serão revacinados.

A projeção é revacinar cerca de 600 animais entre cães e gatos. Apesar da maioria desses animais ter recebido a vacina, a Vigilância optou por repetir a imunização.

O funcionário público aposentado, Manuel Ferreira, 89 anos, ao receber a visita dos agentes, ressaltou a importância da posse responsável de animais. “Temos que cuidar. Eu só tenho uma cachorra, de 16 anos. Ela está cega, velha, mas a trato com o mesmo carinho de sempre. Dou banho toda semana e sempre me preocupo em manter as vacinas em dia. Acho muito importante esse trabalho, principalmente, se houve caso de raiva na região”, opinou o aposentado.

O morcego encontrado é da espécie Myotis sp e alimenta-se de insetos. O médico veterinário André Peres Barbosa de Castro, da Vigilância em Saúde Ambiental, salientou que o exame no animal confirmou a doença.

“A Secretaria de Saúde tomou todas as providências assim que foi notificada sobre a presença do morcego. Depois de recolhido, ele foi encaminhado ao Laboratório de Diagnóstico de Zoonoses do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, que confirmou o caso positivo”, esclarece.

Com esse caso, a cidade já acumula três ocorrências apenas neste ano. A primeira foi notificada no início do mês de junho, na região central da cidade, nas proximidades do Colégio Santa Marcelina, Escola Técnica Industrial e Escola Cardoso de Almeida. O segundo caso ocorreu na Vila Antártica, no final do mês de julho.

Mais uma vez, a Equipe de Vigilância Ambiental solicita que a população colabore, separando antecipadamente a carteirinha de vacinação dos seus animais e mantendo-os em suas casas, não permitindo que saiam à rua sem guia e coleira. “A população tem colaborado com o trabalho feito pela nossa equipe. Isso tem nos ajudado a controlar as colônias de morcego existentes no município”, finaliza o veterinário.

Caso eventualmente seja encontrado morcego caído durante o dia, as pessoas não devem mexer nestes animais. Deverão simplesmente cobri-lo com um recipiente, como balde ou lata, e entrar em contato com a Vigilância em Saúde Ambiental, pelo telefone 150.

Morcegos e a raiva

A Secretaria de Saúde, por meio da Equipe de Vigilância em Saúde Ambiental, desenvolve atividades de monitoramento da raiva em quirópteros (morcegos), orientando a população sobre o que fazer quando encontrar um desses animais, mortos ou caídos na rua ou na residência, recolhendo-os e encaminhando-os para diagnóstico de raiva.

De janeiro até a primeira quinzena de agosto, já foram encaminhados cerca de 230 morcegos para diagnóstico, sendo que apenas três desses animais foram positivos para raiva, e desses morcegos encontrados com raiva, nenhum era hematófago - tipo que alimenta de sangue.

É necessário que a população compreenda que os morcegos não são os vilões da história, já que, dentre as mais de 120 espécies de morcegos, apenas três são hematófagas, sendo que as outras espécies alimentam-se de frutos, insetos, pequenos animais e algumas de néctar.