10 de julho de 2026
Cultura

Influências e ousadias fazem o Skank

Por Diego Molina | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Já se vão mais de 15 anos desde que o Skank surgiu, e isso aconteceu numa época em que o mercado brasileiro havia dado como encerrado, praticamente morto, o pop rock da década de 1980. Atrevidos a pensar que havia, sim, espaço para algo novo, dotaram-se do espírito roqueiro “faça-você-mesmo” e gravaram um CD – novidade para tempos ainda de vinil, e mais porque a banda era independente.

A história provou que o Skank tinha o que dizer, já que acabou liderando, meio sem querer, a efervescência do pop nacional nos anos 90, grudando nas rádios de todo o País canções como “É Proibido Fumar”, “Esmola”, “Te Ver”, “Jackie Tequila”, “É uma Partida de Futebol”, “Tão Seu” e “Garota Nacional”.

O tempo passou e Samuel Rosa (vocais e guitarras), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) mostraram que somente evoluindo continuariam brincando com o sucesso. “Maquinarama” e “Cosmotron” trocaram o reggae dancehall e os metais em brasa por rocks clássicos, fartos de refrões e perpassados por espírito garageiro (o primeiro) e psicodélico (o segundo) para provar que não era o Skank sendo ousado e experimental, mas sendo o Skank.

O novo disco, “Carrossel”, que já está nas lojas, chega para reafirmar que as influências guitarreiras, sessentistas e psicodélicas são o Skank de hoje, com a dose certa de ousadia. E no cenário atual do pop brasileiro sem grandes novidades, eles retomam o posto como os melhores de sua - e da nossa - geração.

São 15 faixas e, de acordo com o material de divulgação, sobraram ainda mais dez, das quais seis ou sete poderiam perfeitamente estar entre as músicas de “Carrossel”. O primeiro single, “Uma Canção é Pra Isso”, parceria de Samuel com Chico Amaral, é um power pop como só o Skank sabe fazer, com letra que não esconde as intenções de ser hit: “Uma canção é pra fazer o sol/ Nascer de novo/ Pra cantar o que nos encantou/ Na companhia do povo”. Outro hit certo do disco é “O Som da Sua Voz”, dos mesmos parceiros, com guitarras densas e refrão certo para emocionar os shows: “Quando a noite estender seu manto sobre nós/ Meu abrigo então será o som da sua voz”. “Seus Passos” (Samuel e César Maurício, vocalista do Radar Tantã), por sua vez, é sucessora de “Dois Rios” no quesito “canção com piano”.

As guitarras de Samuel trabalham bastante em “Até o Amor Virar Poeira” e o clima psicodélico 60’s continua em “Panorâmica” (com intervenções de cravo e tímpano), “Balada Para João e Joana” (com um inédito banjo) e “Garrafas”, na qual Chico Amaral veste de imagens surrealistas, quase Mutantes, uma composição de Lelo: “As garrafas jogadas no chão, as garotas vestidas ou não/ Os bongôs marroquinos no chão/ E ela me mostrou o seu violão que eu dedilhei”.

Nando Reis volta a compor com Samuel em “Eu e a Felicidade”, rock com violão folk, solo de guitarra e teclados Moog. Humberto Effe, do grupo carioca Picassos Falsos, reaparece em duas músicas com Samuel, “Cara Nua” e “Notícia”, uma suíte em três partes de folk-country e psicodelia a drum’n’bass. Rodrigo F. Leão, do Professor Antena, também retorna com “Anti-Telejornal”, uma das faixas de acento latino do disco (a outra é a tex-mex “Um Homem Solitário”, de Samuel Rosa, César Maurício e Chico Amaral). Além de César, outra estréia em discos do Skank é Arnaldo Antunes, que compôs a balada “Trancoso”, que fecha o CD em clima praieiro.

A certeza é que quando o “Carrossel” começar a girar, não vai ser possível desligar o som.