11 de julho de 2026
Bairros

Com fila de 15 mil para consulta e 2,5 mil para exame, hospitais propõem mais vagas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Já sabendo da demora no atendimento, um mesmo paciente pode estar cadastrado em mais de um hospital ou núcleo, mas a lista de espera na rede pública de saúde em Bauru passa de 15,8 mil pessoas para consultas e 2,5 mil somente para exames de ultra-som. A situação leva muitas grávidas que fazem pré-natal na rede pública a ajuntar dinheiro e pagar pelo ultra-som porque, se decidir esperar, a criança pode nascer antes do exame.

Para diminuir a fila de usuários do sistema público que esperam há muito tempo, um encontro entre dirigentes da saúde no Ministério Público ontem, focou ações que possam dinamizar o sistema. Além do investimento municipal em equipamento e informatização das Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Hospital Estadual (HE) e a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) propuseram aumentar o número de consultas e exames.

Em contrapartida, informações dão conta de que a Universidade do Sagrado Coração (USC), deixará de atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que aumentaria a demanda de usuários. Procurado pelo Jornal da Cidade, o responsável pela Fundação Véritas, que presta o atendimento, não foi encontrado.

Durante a reunião, Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, afirmou que pretende aumentar o número de consultas oferecidas em diversas especialidades. Para cardiologia, ele planeja dobrar os atendimentos mensais, que hoje são 260. Em urologia, especialidade que atualmente a AHB não oferece nenhuma consulta, vai passar a atender 214 usuários ao mês. O HE também iria aumentar a cota de consultas.

Durante a reunião, a especulação de que o número de usuários na lista de espera girasse em torno de 24 mil foi rapidamente descartada por conta da alta taxa de duplicidade de números na rede. Ainda assim, a quantidade de bauruenses que permanecem meses esperando atendimento é preocupante. Shirley Alonso Mendes, diretora técnica da Diretoria Regional de Saúde-10 (DIR-10), explica que, de acordo com os parâmetros estabelecidos por uma portaria do Ministério da Saúde, a demanda de consultas mensais a especialistas em Bauru é de 12.326 atendimentos, entre 22 especialidades.

Central

Para Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), a fila vem aumentando há anos. ”Houve um estrangulamento nas consultas há quatro anos e ele está se refletindo agora”, diz. Para dar agilidade ao sistema e diminuir à espera, a Secretaria Municipal de Saúde investiu na central de vagas.

Atualmente, ela opera com quatro auxiliares administrativos, supervisionadas por uma assistente social. Além disso, a central mantém três linhas telefônicas exclusivas para os agendamentos e três computadores. “Também estamos ligados em rede com o HE e em breve também com a AHB. A informatização vai ajudar, acabando com a duplicidade de números”, observa Mário Ramos, titular da pasta.

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Proveitoso

Coordenando as reuniões no Ministério Público desde outubro do ano passado, o promotor da Cidadania Fernando Masseli Helene destacou os avanços obtidos na Saúde em Bauru. Para ele, o setor já possui outra “cara” na cidade. “Já não temos mais usuários à espera de internações nos corredores do Pronto-Socorro Central”, diz.

Temos investimentos em equipamentos, informatização da rede municipal, nova forma de gestão”, enumera. “Além disso, vamos ter mais seis unidades de Programa Saúde da Família, que vai refletir também na diminuição da fila de espera de consultas”, conta. “Por tudo isso, as reuniões continuam sendo extremamente proveitosas”, elogia.