09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Carro é sonho de consumo do bauruense

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O fato do advogado Nelson Henrique Caracho não possuir casa própria e ter de pagar aluguel todos os meses, não faz com que seu maior sonho de consumo seja uma residência. Assim como a maioria dos bauruenses e das populações de Marília e Garça, ele prefere comprar um carro antes de ter a sua própria moradia.

Uma pesquisa de mercado realizada entre os meses de junho e julho do ano passado, no Interior do Estado de São Paulo, revela que nesses três municípios 22% dos moradores sonham em, um dia, poder comprar um veículo. A casa própria foi o segundo desejo mais citado pelos 145 entrevistados entre as três cidades.

“No meu caso, um carro é essencial no dia-a-dia, principalmente porque moro longe do local onde estudo. Até o final desse ano pretendo adquirir um. Não dá mais para ficar sem”, comenta Caracho, que admitiu preferir pagar aluguel do que continuar a pé.

O levantamento, feito pelas empresas Sampling Pesquisa de Mercado e Limite Pesquisa de Marketing, ressaltou ainda que 11% das pessoas abordadas não têm nenhum sonho, superando os entrevistados que idealizam um imóvel para lazer (6%) ou que sonham com uma melhor situação financeira (6%).

Para o economista Adriano Fabri, o sonho de consumo do bauruense está diretamente relacionado com a característica da cidade. “Bauru tem muito mais carros em comparação com a média nacional. Aqui, são três veículos para cada habitante. No País, temos um veículo para cada 12 pessoas”, ressalta.

Auto-estima

Outro indicador que pode explicar o desejo dos bauruenses, segundo o economista, é a grande quantidade de estacionamentos e concessionárias de veículos que existe na cidade, inclusive de marcas importadas. Entre esses fatores, Fabri também destaca a auto-estima que um veículo pode representar na vida das pessoas. “Nem sempre a gente compra o produto pelo que é. Um dos fatores de decisão de compra é o que ele representa. E o carro é um sinônimo de status, um símbolo de reconhecimento, especialmente numa cidade onde se tem bastante veículos”, completa.

O economista, no entanto, acredita que a tendência natural das pessoas deveria ser pela pretensão de ter casa própria, o que garante uma certa estabilidade e a fuga do aluguel. “Numa escala de necessidade, a casa é muito mais básica. Mas numa cidade como Bauru, onde as distâncias são significativas, ele (o veículo) é um bem necessário, o que nos faz entender a opção dos entrevistados”, analisa.

Fabri lembra que a maioria das pessoas sonha com o que está mais próximo de sua realidade. Neste caso, destaca ele, o financiamento de um carro é mais acessível que o imobiliário.

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A pesquisa

O levantamento sobre o sonho de consumo dos paulistas foi realizado pelas empresas Sampling Pesquisa de Mercado e Limite Pesquisa de Marketing, entre junho e julho de 2005. A pesquisa foi espontânea e, na região de Bauru, que incluiu as cidades de Garça e Marília, 145 pessoas foram entrevistas, entre elas, 74 homens e 71 mulheres.

Nas seis regiões pesquisadas, o resultado foi igual ao obtido na região de Bauru. Em todo o Interior, 23% das pessoas abordadas pelos entrevistadores declararam ter como sonho de consumo a aquisição de um veículo. A preferência pela casa própria foi citada em 19% das respostas.