O subtenente Tákio, uma das feras da pescaria em Nioaque (MS), estava trabalhando tranqüilamente em sua repartição, a usina de eletricidade da Unidade, quando um mensageiro lhe trouxe um recado do coronel comandante, para que comparecesse com urgência em seu gabinete. O que será que está acontecendo? Logo pensou o subalterno.
Largou tudo o que estava fazendo e saiu em acelerado para atender ao chamado do seu chefe. Lá chegando foi informado de que o quartel seria inspecionado por uma comissão de oficiais da Quarta Divisão de Cavalaria, a qual tinha como chefe o general Átila, militar este aficionado por pescarias. E por existir na região vários rios adequados para o esporte, pretendia no dia posterior à visita bater umas linhas no rio Nioaque e para tanto contava com o auxílio do subtenente Tákio, conhecedor profundo da área.
No dia previsto, logo cedinho, partiram com destino à fazenda Formiga, o general, o coronel e mais alguns oficiais visitantes, conduzidos pelo Tákio, para a realização do evento.
De barranco os militares começaram a pescar e o general com todo aquele material sofisticado; molinetes, linhas e anzóis tudo importados e... nada de peixe. Foram ficando irritados, pois peixe saltava para todo lado, mas no anzol nada, apesar de trocarem de isca por várias vezes. Era minhoca, muçum, tuvira, etc.
O subtenente, percebendo toda aquela irritação por parte dos pirangueiros, resolveu quebrar o galho do general. Pegou sua tarrafinha curimbeira e logo ali pra baixo, próximo de uma figueira muito grande que se projetava sobre o rio, sem que ninguém percebesse, jogou e logo na primeira cobriu alguns curimbatás.
Escolheu o maior e com ele vivo veio pela beirinha do rio, por entre o mato para não ser visto. E chegando mais ou menos onde poderia estar a linha do general, mergulhou e encaixou na boca do curimbatá o anzol do comandante, dando em seguida uma puxadinha na linha, simulando uma corrida de peixe.
O general fisgou duro e muito alegre veio trazendo o peixe, já com o puçá pronto para retirá-lo da água, quando alguém, sem se saber quem, gritou do outro lado do rio por entre a vegetação:
- O general tirou o dedo!...
Ele, não gostando da brincadeira e menos ainda quando percebeu que o peixe que havia fisgado era um curimbatá, exclamou:
- Nunca pensei que até os peixes de Nioaque fossem tão puxa-saco assim. Pegar curimbatá de anzol e com isca de muçum é coisa muito séria. Vamos embora que isso já é demais.
Orlando Álvares de Araújo é pescador, contador de histórias e autor do livro “Coisas da caserna e estórias do Zé Birruguinha”.