Boca, nariz e garganta secos. Com 23 dias consecutivos sem chuva, os bauruenses vêm sentindo na pele os prejuízos causados pela baixa umidade relativa do ar, principalmente nos últimos cinco dias. Às 15h de ontem, os níveis chegaram a 16% quando o ideal seria 75%. É a marca mais baixa dos últimos sete anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o estado é de alerta.
No ano passado, o nível mais baixo também foi registrado em agosto, quando a umidade chegou a 24%. As marcas também caíram abaixo dos 20% nos anos de 2004, 2003 e 1999. No entanto, não superaram o registrado da tarde de ontem.
De acordo com o meteorologista do IPMet, Adelmo Antonio Correia, a estiagem é a maior responsável pelos níveis alarmantes. “Os baixos índices de umidade são normais nesse época, que é de seca. O principal problema que apontamos é a falta de chuva. Já são 23 dias consecutivos sem nenhuma precipitação”, destaca.
Correia explica ainda os motivos do longo período sem nenhuma chuva. “Durante todo esse mês, verificamos que existem massas de ar seco que impedem a chegada de frentes frias à toda região sudeste. Sem esse ar frio, fica mais difícil que ocorram chuvas”, explica o meteorologista.
No entanto, Correia aponta que outros fenômenos podem influenciar na diminuição da umidade. “Sabemos que quando uma grande área de mata virgem é desmatada, a microrregião onde ela está inserida pode ser afetada, já que as árvores têm papel importante na umidificação do ar. Mas precisamos de estudos específicos para analisar mais detalhadamente este impacto”, alerta.
O período da tarde é o mais seco do dia. Segundo Correia, temperatura e umidade são inversamente proporcionais. “Quanto mais quente, mais baixa é a umidade”, afirma. Os termômetros do IPMet registraram máxima de 31graus por volta das 16h de ontem.
Com a alta temperatura e a umidade abaixo dos 20%, alguns cuidados devem ser tomados. A OMS aconselha as pessoas a evitarem aglomerações em locais fechados, umidificarem os ambientes com vaporizadores, toalhas molhadas e recipientes com água e usarem soro fisiológico para manter olhos e narinas hidratados. Exercícios físicos e trabalhos ao ar livre também não são indicados no período das 10h às 16h.
Quem visitou a página do IPMet na internet, ontem, após o almoço, pode ter verificado índices de umidade do ar ainda menores do que 16%. Às 15h, por exemplo, o site indicava umidade de 9%. No entanto, existe uma explicação para as diferenças.
As medições do IPMet são feitas por duas estações: uma convencional, de base mecânica, e outra automática, com sensores. Os resultados dispostos no site são relativos à estação automática. Segundo Correia, há três dias, os técnicos do IPMet constataram que os sensores não reagem de forma eficaz quando são obrigados a fazer medições em condições extremas.
“A umidade caiu muito e percebemos que a estação automática não conseguiu responder satisfatoriamente ao fenômeno. Ela passou a ter desvios de até 30%, com relação à convencional”, explica, avisando que os problemas já estão sendo solucionados.