11 de julho de 2026
Política

Promotoria arquiva denúncia de caixa 2 por falta de provas

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O promotor de Cidadania e Patrimônio Público de Bauru, Fernando Masseli Helene, decidiu solicitar o arquivamento do procedimento que investigou a suposta existência de caixa 2 na campanha eleitoral de 2004 em favor da aliança Tuga-Purini por falta de provas. Helene argumentou, no pedido de arquivamento do caso, que não foi possível colher elementos que permitissem a propositura de ação civil pública ou o envio do processo para a esfera eleitoral.

O principal motivo que levou o representante do Ministério Público (MP) a encaminhar o procedimento para o arquivamento foi o fato do pivô da crise, o ex-diretor de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) Jorge Monteiro, ter mantido sua posição de não colaborar com informações que ele mesmo levantou em reunião com o promotor no início de junho deste ano.

O ex-diretor deu detalhes da suposta operação em que ele mesmo disse ter participado, em 2004, mas alguns dias depois Monteiro apresentou a versão de que “inventou a história”, gerando o desmentido. No primeiro contato com a Promotoria, Monteiro afirmou que fez contatos com intermediário em São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2004, com o objetivo de buscar recursos para a campanha de Tuga junto a representante da empreiteira Marquise.

Ele contou ao promotor Fernando Masseli que alguns dos contatos foram feitos com a presença do vice-prefeito, Renato Purini (PMDB), culminando com o recebimento de recursos. O ex-diretor apontou que valores que somariam perto de R$ 400 mil teriam sido encaminhados na oportunidade. Monteiro disse ainda que recebeu remessas em dinheiro e as encaminhou ao comitê financeiro da campanha na época, situação que negou ao formalizar depoimento.

O promotor Fernando Masseli ainda tentou convencer Monteiro a informar, em novo depoimento, os detalhes que levantou, como nome de um hotel em São Paulo em que teriam ocorrido as tratativas visando a obtenção de recursos para a campanha e o nome da pessoa que, segundo o ex-diretor, teria recebido pelo menos uma remessa de valores através de conta-corrente. Apesar da riqueza de informações que havia prestado, Monteiro resistiu e manteve-se em silêncio em sua reconvocação.

O vice-prefeito, Renato Purini (PMDB), confirmou, em seu depoimento, que houve contato com representante que seria ligado à empreiteira Marquise, à época, mas ele alegou que a conversa, de sua parte, não prosperou.

O prefeito Tuga Angerami (sem partido) rechaçou a existência de caixa 2 em sua campanha e afirmou que os recursos arrecadados foram os declarados em sua conta oficial à Justiça Eleitoral. Ontem, o prefeito disse que recebeu a notícia do arquivamento com tranqüilidade e que o episódio estava superado.

Sem conseguir avançar nas provas, a Promotoria decidiu pelo arquivamento do processo. Entretanto, a crise gerada pelas denúncias levantadas por Monteiro custaram a queda do vice-prefeito da presidência da Emdurb. Renato Purini não suportou a pressão e pediu para sair. Jorge Monteiro já havia sido demitido pelo próprio Purini da direção do setor de limpeza pública da Emdurb, no início deste ano. A saída de Monteiro do cargo ocorreu sem maiores explicações pelo governo.

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Entenda o caso

• No início de junho, o ex-diretor da Emdurb Jorge Monteiro procura o JC para denunciar existência de caixa 2 na campanha de 2004.

• No dia 9 de junho, o JC publica que Monteiro intermediou, junto com o vice-prefeito Renato Purini, reuniões em São Paulo para buscar recursos junto a representante da empreiteira Marquise.

• Também no dia 9 de junho, Monteiro pede para ir à Promotoria e, na presença da reportagem, confirma em detalhes a operação do caixa 2 ao promotor Fernando Masseli Helene.

• Em depoimento de 13 junho, Monteiro não confirma sua versão e alega que inventou a denúncia por se sentir humilhado pelo governo municipal.

• Renato Purini diz ao JC, em seguida, que houve encontro com intermediário de empreiteira em São Paulo, em 2004, mas a conversa não teria prosperado.

• Tuga Angerami depõe e diz que não ocorreu caixa 2 em sua conta-corrente de campanha eleitoral, movimentada por ele próprio.

• Purini vai ao MP e confirma o encontro, mas não dá detalhes, esconde nomes e repete que a conversa não seguiu adiante.

• A Promotoria reconvoca Jorge Monteiro, mas este continua em silêncio e não fornece dados sobre reuniões e os interlocutores da história que ele havia contado.

• A Promotoria decidiu, então, pedir o arquivamento do caso por falta de provas.