Piratininga - Para tentar solucionar os problemas de dívidas acumuladas, a Santa Casa de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) vai passar a oferecer cirurgias eletivas. A informação foi passada pelo provedor da entidade, Sérgio Gazo Júnior, que também pretende desenvolver uma campanha para receber doações da comunidade.
A Santa Casa de Piratininga está com dívidas que, somadas, alcançam mais de R$ 1,5 milhão. A dívida maior é com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Essa dívida se arrasta há quase 20 anos e não temos condições financeiras de saldá-la”, revelou ao JC o provedor da entidade em matéria publicada na semana passada.
Segundo o provedor, algumas medidas foram tomadas para tentar solucionar o problema. A principal delas, de acordo com Gazo Júnior, é que em breve a entidade deve passar a oferecer cirurgias eletivas. “Ontem (quarta-feira) nós tivemos a certeza de que essas cirurgias eletivas vão começar a vigorar agora (final de agosto ou início de setembro)”, conta o provedor.
Com a implantação das cirurgias eletivas, ele acredita que haverá mais dinheiro, ajudando a equilibrar o gasto fixo mensal da entidade, que gira em torno de R$ 33 mil a R$ 35 mil. Atualmente a arrecadação mensal da Santa Casa fica abaixo deste valor (cerca de R$ 27 mil/mês) gerando um déficit nas contas. “As cirurgias eletivas são praticamente como um pacote, passaria a girar procedimentos e esses procedimentos gerariam mais dinheiro do que o SUS (Sistema Único de Saúde) repassa”, comemora.
Outra iniciativa tomada pela direção da Santa Casa é a de promover uma campanha visando receber doações. Gazo Júnior explica que fez uma parceria com as agências bancárias, Banco do Brasil e Nossa Caixa, onde duas contas correntes foram abertas para receber as doações dos clientes que se interessarem em ajudar a entidade. “Em primeiro momento nós fechamos convênio com o Banco do Brasil e a Nossa Caixa para fazer débito em conta, e, aquelas pessoas que se interessarem podem procurar a gente para fazer as doações”, explica, lembrando que o débito será feito na conta do doador e vai direto para a conta da entidade, livre de juros bancários.
Ainda visando arrecadar fundos para a Santa Casa, também está sendo preparado um evento, provavelmente uma quermesse, em que ocorrerão leilões de animais e um almoço cuja renda será revertida para a Santa Casa. De acordo com o provedor a prefeita da cidade também teria se comprometido a dar um apoio maior à entidade nos repasses das subvenções. “Já sentamos com a prefeita e ela vai começar a colocar em prática algumas outras formas de auxiliar a entidade e dar um apoio maior”, conta.
O provedor da Santa Casa faz questão de ressaltar que a entidade está preparada para realizar os novos procedimentos cirúrgicos e que o local tem estrutura para fazê-las. Uma das cirurgias eletivas será a de otorrino.
Gazo Júnior acredita que a Santa Casa de Piratininga será uma das poucas na região de Bauru a fazê-la e, dessa forma, acredita que poderá até vir a atender pacientes de cidades próximas. Isso pode acontecer, segundo ele, porque o Hospital de Base de Bauru não teria se interessado em entrar no programa de operação de otorrino.
“O que acontece é que alguns municípios da região onde hospitais não entraram pedindo cadastramento em otorrino vão fazer as cirurgias aqui em Piratininga. Então, vai desafogar em outros hospitais da região que não foram cadastrados”, acredita, lembrando que com essas medidas a situação financeira da entidade deve se normalizar. “Estamos reduzindo custos, correndo atrás de doações e eu acredito que nós conseguiremos normalizar a Santa Casa com a entrada destes procedimentos eletivos”, conclui.