08 de julho de 2026
Regional

Hidrovia bate recorde de transporte

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Jaú - O movimento de carga pela hidrovia Tietê-Paraná bateu recorde no primeiro semestre deste ano em comparação com os mesmos períodos desde o início de operação de barcaças, em 1981. Nos seis primeiros meses de 2006, segundo balanço da Secretaria de Estado dos Transportes, houve um aumento de 28% se comparado ao volume transportado no mesmo período de 2005. No primeiro semestre foram movimentadas cerca de 1,1 milhão de toneladas em cargas de longo e médio curso, enquanto que no primeiro semestre 2005 o volume transportado foi de 850 mil toneladas.

A consolidação do transporte de soja e farelo vindos de Goiás para a exportação no porto de Santos e o crescimento da madeira são responsáveis pelo recorde, segundo Oswaldo Rossetto Júnior, diretor do Departamento Hidroviário (DH), ligado à secretaria. O movimento de madeira em toras embarcadas é de 40 mil toneladas a cada mês, provenientes da região de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.

Segundo Rossetto, além da consolidação do corredor de exportação da soja e o aumento da madeira, o crescimento foi estimulado também por um ajuste logístico na hidrovia. Quanto mais carga embarcada, maior a profundidade de afundamento da embarcação (calado). Dos 2,50 metros freqüentemente mantidos, a hidrovia passou a ter 2,90 metros. Rossetto explica que cada centímetro de calado a mais na lâmina d’água equivale a uma carga adicional de carreta com 40 mil toneladas.

“Neste ano, até agora, a secretaria, as empresas geradoras de energia (AES Tietê e Cesp) e a Marinha mantiveram o calado de 2,90 metros. Estamos fazendo obras para que em 2007 esse número suba para três metros. Progressivamente, estamos eliminando restrições de navegação, o que aumenta a velocidade das embarcações”, ressaltou. Para que os comboios trafeguem com maior rapidez, a Secretaria vem fazendo obras de proteção dos pilares e ampliação dos vãos de navegação sob as pontes.

Com isso, Rossetto aguarda para os próximos meses um incremento no transporte de açúcar vindo do sul de Goiás – projeção de aumento de 10%.

Dados da Secretaria de Transportes mostram que do total de cargas movimentadas na hidrovia neste primeiro semestre, 830 mil toneladas são consideradas de longo curso - como grãos, farelo e madeira -, o que representou um crescimento de 42% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o transporte de produtos classificados como de médio curso - como a cana-de-açúcar - apresentaram um volume acumulado de 260 mil toneladas, muito próximo do registrado no ano passado.

A carga que vai, em sua maior parte, na direção do porto de Santos, segue pelo Tietê até o município de Anhembi, que tem dois terminais, ou vai para Santa Maria da Serra, pela calha do rio Piracicaba. Destes pontos, a carga segue até o porto em caminhões pelas rodovias paulistas.

Ao longo da calha da hidrovia se embarca nos terminais graneleiros soja e derivados, madeira, areia, álcool e açúcar para o Litoral Paulista.

Alternativas

Apesar do tom de comemoração do DH, o diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Jaú, Jorge Luiz Alcalde, explica que a hidrovia está ociosa em relação ao seu real potencial de transporte. Conforme Alcalde, enquanto trafegam apenas cerca de 4 milhões de toneladas de carga, o leito Tietê-Paraná tem capacidade para transportar 20 milhões de toneladas anualmente.

Para aumentar o volume de carga transportada pela calha do Tietê-Paraná, bastaria que as barcaças que seguem para o porto de Santos carregadas tivessem carga de retorno em suas viagens de volta ao Interior.

Já se forma um consenso de que é necessário criar alternativas como transporte hidroviário de calçados, têxtil, entre outros produtos industrializados.

“Ela (hidrovia) está ociosa e tem muito a crescer. Se o transporte já é barato com os comboios voltando vazios, imagine o quanto vai baratear com as barcaças retornando carregadas. Por isso, vamos instalar em Jaú um distrito industrial com empresas que vão induzir cargas de retorno para hidrovia”, projeta.

Alcalde lembra que a hidrovia no rio Tietê, exatamente no limite entre os municípios de Pederneiras e Jaú, agrega três vias de transporte que não necessitam de vultosos investimentos. Segundo o diretor regional da Fiesp, a rodovia (Comandante João Ribeiro de Barros) está em confluência com a linha férrea localizada a 5 mil metros da estrada (ponte férrea). As duas vias passam sobre a hidrovia Tietê-Paraná, completando o intermodal. “É um ponto altamente estratégico com três modais no mesmo lugar e sem necessitar de grandes investimentos. No nosso projeto estamos criando um distrito industrial às margens do Tietê para explorar os três modais”, define.

Porém, com o processo de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e, depois, a alocação do Departamento Hidroviário para a Secretaria de Trasportes, o desenvolvimento da hidrovia teve sua velocidade reduzida. Alcalde diz que, projetos como o do Distrito Industrial na beira do rio em Jaú, voltam agora à tona, com ações da Fiesp e deputados estaduais da Frente Parlamentar das Hidrovias (FPH). Em 14 de agosto, representantes do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação, e da FPH estiveram reunidos em São Paulo para alinhavar as primeiras ações. Alcalde adianta que a parceria visa voltar a difundir a hidrovia para envolver as comunidades ribeirinhas.

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Fiscalização de navegação

Diante do crescimento e perspectiva de ampliação do volume de carga na hidrovia, a Secretaria dos Transportes assinou em agosto convênio de cooperação com o 8.º Distrito Naval, órgão vinculado à União, visando monitorar e fiscalizar as operações de transportes na hidrovia.

O acordo prevê que o Departamento Hidroviário (DH) irá repassar R$ 120 mil - no período experimental de seis meses - à Capitania Fluvial do Tietê-Paraná (CFTP) para a fiscalização do cumprimento das normas operacionais de navegação. O trabalho em conjunto vai permitir uma maior ação da Marinha para controlar as condições da segurança da navegação.