O professor Isaias Daibem (PSOL), candidato a deputado estadual, afirmou que o grande foco das eleições de outubro será a discussão do modelo econômico e político do país. Segundo ele, essa discussão será em torno da implantação do socialismo, como modelo definitivo de política para o Brasil. “Já está havendo um grande debate nacional. Que modelo de sociedade nós queremos? Nós não queremos o neo-liberalismo, que é o novo nome do capitalismo, nós queremos o socialismo”, disse.
No entanto, Daibem ressaltou que o socialismo não será implantado de uma hora para outra, mas o modelo utópico defendido pelos integrantes do PSOL, deverá ser “construído através de muita luta”, conforme as palavras do candidato. “O socialismo é uma grande luta, uma conquista histórica, secular, difícil”, ressaltou.
O professor alerta que o sonho de socialismo do partido não se remete às experiências anteriores, em países como Rússia, China e Cuba, que se não se esgotaram, estão em processo de transformação. “É o caso de Cuba, que, com a doença de Fidel Castro, abriu-se a discussão sobre as possíveis transformações no país. Existe uma grande esperança de socialistas do mundo inteiro que a experiência perdure. Esse é o nosso sonho”, frisou.
Para ele, a participação do PSOL nas eleições de outubro, com candidatos a cargos majoritários e proporcionais, tem como missão não deixar que o socialismo saia da pauta. “É a nossa resistência contra o capitalismo, porque esse modelo não conseguiu promover igualdade social. Temos uma grande exclusão de um lado e concentração de riquezas do outro”, salientou.
Propostas
Como professor da rede pública de ensino, há vários anos, Daibem afirma que seu trabalho como deputado será voltado para a educação. “Há um grande número de jovens que saem da escola pública, não tem uma profissão e não conseguem competir para entrar em uma universidade”, salientou.
Segundo Daibem, seu trabalho, caso seja eleito, será focado na juventude, que não tem perspectivas. A intenção do candidato é aproveitar a rede de escolas técnicas, pertencentes à Fundação Paula Souza, que São Paulo possui em várias regiões. “ Essas escolas estão aptas a formar a juventude com conteúdo e formação técnica, além de preparar os alunos para o vestibular”, declarou.
Daibem também defende um novo modelo pedagógico para as escolas de ensino fundamental. Para ele, as salas de aula com mais de 40 alunos não permite a implantação de projetos. “Com esse número de alunos, qualquer projeto pedagógico dá errado. Nós defendemos a diminuição do número de alunos por sala, a reciclagem e a formação continuada dos professores, e melhores salários”, salientou.
De acordo com ele, os baixos salários dos professores não permitem que os profissionais da educação adquiram conhecimento, através de livros, peças de teatro e equipamentos didáticos. “Na maioria das escolas o professor trabalha com giz, garganta, lousa e talento. É preciso equipar as escolas, remunerar bem os professores, proporcionar a eles treinamento permanente e diminuir o número de alunos. Feito isso, os projetos pedagógicos emergirão naturalmente”, destacou.
Motivações
De acordo com Daibem, as candidaturas a deputado estadual e federal do PSOL de Bauru contemplam dois projetos: conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados e um na Assembléia Legislativa, e enraizar o partido na cidade e na região. “A eleição é um momento privilegiado de construção dos partidos. É o grande debate que a sociedade participa”, ressaltou.
Para ele, o político é uma categoria de servidor público, que de tempos em tempos, passa pelo crivo da sociedade.
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Desafio
O Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL) tem pouco mais de um ano de existência e vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que a candidata a presidente pelo partido, senadora Heloísa Helena, surpreende e atinge 11% das intenções de voto, segundo pesquisa do Instituto Datafolha, o PSOL precisa lutar para conquistar os 5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados em todo o país, para se manter no cenário político.
Para o professor Isaias Daibem, este será o grande desafio do PSOL nas eleições de outubro, já que o partido precisa transferir para seus candidatos a deputado federal a confiança que 11% do eleitorado tem na candidata a presidente da sigla, o que para Daibem não será nada fácil. “Superar a cláusula de barreira será o grande desafio do PSOL, sem dúvida”, salientou.