Depois de passar 76 anos na “lanterninha”, ele caiu para a segunda divisão. Plutão não é mais um “clássico”, ele agora é considerado um planeta-anão. Os livros didáticos irão mudar, mas será que o cotidiano de alguém pode ser alterado por causa disso? Será que muda alguma coisa na astrologia? O astrólogo João Bidu afirma que não.
Segundo ele, o planeta nunca esteve na elite. “Não muda absolutamente nada. A maioria dos astrólogos, inclusive eu, não trabalha muito com Plutão devido ao seu tamanho e morosidade”, afirma.
Sem velocidade, Plutão não acompanhava o ritmo de seus “adversários”. “Ele é um planeta superparado. Demora 29 anos para completar cada ciclo, ao passo que a Lua faz isso em um mês e o Sol, juntamente com a maioria dos planetas restantes, faz em um ano”, destaca.
O pequeno planeta parece mesmo ser um “peso-morto” nos gramados astrais. “Plutão leva 348 anos para passar pelo zodíaco. Então, sua influência não está no dia-a-dia das pessoas porque, quanto mais parado o planeta, menos ele interfere. Por este fato, não trabalhamos muito com ele na elaboração das previsões”, afirma.
Os mais preocupados seriam as pessoas de escorpião, já que o planeta era considerado regente do signo. Mas a realidade não é bem assim. “Plutão não era regente de escorpião. Ele sempre foi considerado co-regente, porque na época em que foi descoberto, não se tinha absoluta certeza de que ele poderia ser tratado realmente como planeta. O regente real sempre foi Marte. Então os escorpianos não devem se sentir órfãos”, esclarece João Bidu.
As três divisões
Em reunião realizada nesta semana na cidade de Praga, capital da República Tcheca, membros da União Astronômica Internacional (UAI) decidiram criar três classes distintas para os corpos celestes. A primeira divisão é a dos planetas clássicos, na sequência aparecem os anões e os pequenos corpos.
Os clássicos possuem massa suficiente para manter uma órbita esférica e regular ao redor do Sol. Os anões não são satélites e têm órbita irregular, como é o caso de Plutão, cuja órbita de rota diagonal se sobrepõe a de Netuno. Todo o resto, como asteróides e cometas são considerados pequenos corpos.
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Na escola
Provavelmente, os estudantes utilizarão livros com os nove planetas, incluindo Plutão, no ano que vem. O fato deve acontecer porque a maioria das editoras do País já imprimiu as edições que serão utilizadas em 2007. A “correção” deverá ser feita na aula, pelos próprios professores.
De acordo com Luiz Henrique Pinke, representante de uma editora, as correções só serão feitas em edições posteriores. “Não temos como mudar o livro. Temos que esperar o estoque acabar para depois imprimir uma nova leva. O prejuízo financeiro seria enorme. Estamos lançando um produto novo neste mês, e este já estará atualizado porque ainda não foi impresso”, destaca.
Para o assistente técnico da Diretoria Regional de Ensino, Paulo Maximino, o assunto será tratado em sala de aula. “Vamos aguardar as instruções da Secretaria Estadual, mas provavelmente o tema será corrigido durante as aulas”, destaca.
Segundo o professor de cursinho Clayton Carvalho, o Scooby, os vestibulandos não precisam mudar a rotina por causa de Plutão. “A gente vai comentar em aula, mas acredito que este não está nem entre os principais temas desse ano. Ao meu ver, eleições, segurança, desemprego, oriente médio e terrorismo encabeçam a lista”, destaca.