10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Microempresas fecham 130 mil vagas

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Paulo fechou sua loja de equipamentos eletrônicos há dois meses. Três pessoas perderam o emprego. As dificuldades de gerir o empreendimento por conta dos encargos tributários e do baixo ritmo das vendas foram alguns dos fatores que o levaram a desistir da empresa, que não chegou a completar quatro anos.

O personagem Paulo é fictício, mas sua história retrata a realidade da maioria dos micro e pequenos empresários no Brasil. Pesquisa divulgada nesta semana pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revela que em junho deste ano cerca de 70 mil pessoas que trabalhavam em companhias de pequeno porte perderam o emprego. De junho de 2005 a junho de 2006 foram 130 mil, uma retração de 2,2% no índice de ocupados neste setor.

O Sebrae aponta que de janeiro a junho deste ano houve queda de 2,8% no faturamento real desses empreendimentos em relação ao primeiro semestre de 2005. Essa desaceleração teria sido conseqüência do aumento da emissão de cheques sem fundos, do maior endividamento das famílias com a compra de bens duráveis, da queda de preços nos setores de alimentos e vestuários, além do aumento das importações e do efeito Copa do Mundo, período em que o parque empresarial brasileiro fez inúmeras interrupções nos serviços por conta dos jogos da Seleção Brasileira.

O gerente regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, considera que o levantamento expressa a realidade que as pequenas empresas vivem hoje, inclusive na região. “Tivemos um bom Natal, porém, houve reflexos de gastos e cheques sem fundos que geraram muita inadimplência nos pequenos negócios”, avalia.

O gerente não soube precisar o número de micro e pequenas empresas que foram extintas em Bauru nos primeiros seis meses deste ano. Conforme ele, a maioria que encerra as atividades não regulariza a situação na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), ou ainda, acabam repassando o ponto comercial a outro empreendedor. “Na maioria dos casos, por conta dos custos que a pessoa tem para regularizar o fechamento, que inclui pagamento de impostos atrasados e uma série de outros acertos com o fisco federal, estadual e municipal, o pequeno empresário desiste do procedimento.”

Vida

O tempo médio de vida das micro e pequenas empresas no Estado de São Paulo é de cinco anos, segundo o Sebrae. Atualmente, 56% dos empreendimentos deixam de operar depois desse período. Entretanto, essa perspectiva de “morte” já foi maior. Mais de 70% fechavam as portas antes de completar cinco anos no mercado.

Para Debiasi, esse avanço é resultado de um processo de organização e capacitação que vem ocorrendo dentro das próprias empresas, que estão sendo pressionadas à adequação do mundo globalizado.

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Problemas

Falta de dinheiro e poucos clientes são as principais reclamações dos micro e pequenos empresários. A informação é do gerente regional do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Bauru, Milton Debiasi.

Em geral, de acordo com ele, a situação é ocasionada pela má administração dos empreendedores. O gerente explica que as dificuldades apontadas são reflexos da própria linha administrativa da empresa. “Na maioria das vezes, o empresário não tem uma estratégia de marketing focada para o mercado. Ele precisa perceber o desejo do consumidor, a tendência do mercado”, ressalta.

Mas para que esse procedimento ocorra, Debiasi lembra que é preciso estruturar um banco de dados para que seja possível o monitoramento do consumidor da empresa. Segundo ele, esse recurso é praticamente inexistente entre as micro e pequenas empresas. “Os empresários só percebem o sintoma final, não detectam a causa.”