10 de julho de 2026
Nacional

Peões apostam em treino, oração e até paquera para vencer

Marcelo Toledo - Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Barretos - “Abriu a porteira, vamos garoto, o touro é bravo, seguuuuura, peão!! Pode pegar, pode pegar!” A abertura da porteira para as montarias marca o apogeu de um peão. Mas muitas outras coisas acontecem antes de os cavalos, touros e peões entrarem na arena. A preparação dos peões para o momento de enfrentar o touro inclui orações, aquecimento, paquera, fotos com celulares, conversas com os adversários e olhares nervosos para a arena.

A reportagem acompanhou os bastidores da abertura do 14.º Barretos International Rodeo, junto aos bretes, onde os peões dão a largada rumo ao sucesso ou ao tombo, o que acontece em meros oito segundos. As montarias duram poucos segundos, mas a preparação nos bretes leva até uma hora.

Enquanto um peão está na arena, outros dois ou três, devidamente identificados com pulseirinhas, já estão se preparando. É quando fazem orações e invariavelmente olham para o público nas arquibancadas. “Isso dá força”, disse o norte-americano Chad Eubank, pela primeira vez em Barretos. Enquanto ele montava, peões discutiam como é o pulo de cada animal, para que lado eles costumam partir na montaria e a melhor forma para suportar os oito segundos. “Os touros aqui são muito diferentes. Ganhei etapas da Professional Bull Riders (PBR) nos EUA e outros rodeios, mas aqui nunca consegui. É difícil para os estrangeiros e espero que o título fique com os brasileiros”, disse Eurípedes Célio Rosa, 29 anos, enquanto orava e fazia um aquecimento de 40 minutos. Ele já ganhou cinco automóveis e 33 motos na carreira e é irmão de Milton Célio Rosa, campeão de Barretos em 1990.

O ambulatório é o local para onde vão os peões que se machucam pouco, normalmente os que são menos experientes, uma média de cinco por dia. Os que se machucam com gravidade são encaminhados a uma das duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) móveis.