Ribeirão Preto - A pintura do estádio Santa Cruz, do Botafogo, vai muito além da questão estética para Roberto Oliveira Rosa, 35, e Juarez Lopes da Silva, 42, presos do regime semi-aberto da Penitenciária de Ribeirão Preto. Os dois estão trabalhando no estádio. Cada três dias de jornada significa uma dia a menos de pena.
Os dois dizem que o mais importante no novo emprego é a oportunidade de convívio com a sociedade. “Faz dois anos que eu trabalho, mas era sempre dentro da penitenciária. Aqui eu fico vendo as pessoas passando e o dia passa mais rápido’’, afirmou Rosa, que é de Aguaí e foi condenado a 19 anos de prisão por furto em 1997.
Segundo Silva, preso por homicídio, a rotina diária no Botafogo já está provocando uma mudança de seus hábitos. “Eu falava que eu era flamenguista, mas nunca fui muito de futebol. Agora vendo o pessoal treinar dá até vontade de torcer. Pena que ainda não deu para ver nenhum jogo do Botafogo.’’ Os dois estão trabalhando de segunda a sexta e não recebem nenhum tipo de escolta.
A supervisão do trabalho é de Manuel Domingos da Silva, 45, responsável pela manutenção do Santa Cruz. “Eles estão dando conta do serviço e, para mim, é bom que ajuda.’’ Nos 15 primeiros dias da parceria, o único incidente foi a fuga de um preso, que foi trabalhar no estádio e não retornou ao presídio.