Viena - A austríaca que foi mantida em cativeiro por oito anos relatou a investigadores que tinha “contato sexual” com seu sequestrador, disse a polícia ontem. A natureza do contato sexual revelado por Natascha Kampusch, atualmente com 18 anos, não ficou clara, e o porta-voz da polícia, Erich Zwettler, recusou-se a fazer comentários adicionais.
Kampusch, que tinha 10 anos quando foi capturada, conseguiu escapar de seu sequestrador na quarta-feira. Seu raptor, Wolfgang Priklopil, de 44 anos, cometeu suicídio jogando-se à frente de um trem em movimento depois que ela fugiu. Kampusch era mantida em um cubículo na casa de Priklopil. Teste de DNA feitos no sequestrador não o ligam a nenhum outro crime, disse a polícia.
Zwettler disse que material genético retirado do corpo de Priklopil não correspondia com nada presente em um banco de dados nacional. “Isso significa que ele não era procurado em nenhuma outra região da Áustria por causa de algum crime”, declarou. Isso pôs fim às especulações de que Priklopil poderia ter perseguido crianças sistematicamente.
Zwettler disse que Kampusch permanecia em um lugar seguro e secreto, recebendo cuidado psicológico, e que seria poupada de outros interrogatórios até segunda-feira, pelo menos.
“Ela precisa urgentemente de um descanso. Ela quer paz e tranquilidade. Ela é uma adulta agora, de maneira que pode ficar onde está por quanto tempo quiser”, disse ele.
Kampusch encontrou-se brevemente com seus pais na quarta-feira, mas não pediu para ver parentes desde então. “Ela pode ter perdido sua confiança original nas pessoas, o que pode tê-la levado a rejeitar seus pais, o que aconteceu com outras vítimas de sequestro”, disse o psiquiatra forense Reinhard Haller.
“Uma pessoa ter passado sua infância em confinamento solitário é, na verdade, um caso único”, disse ele. “Uma menina de 10 anos deixou sua casa e está voltando como uma mulher traumatizada. Um prisioneiro normal sabe porque está na prisão. Não é tão kafkiano”.
O pai de Kampusch, Ludwig Koch, disse que está sofrendo por ter passado tão poucos minutos com sua filha até agora. Ele queria tirar fotos, mas não pôde por temores de que elas poderiam vazar para a imprensa e prejudicar interrogatórios posteriores. Haller disse que impedir o acesso livre a Kampusch é necessário por enquanto, para impedir reações de choque.“Ela foi jogada, de repente, no meio do interesse de todo mundo. Essa é uma virada de 180 graus com relação ao que ela estava experimentando”, disse ele.
Max Friedrich, um importante psicólogo infantil que está auxiliando no tratamento de Kampusch, alertou para uma “segunda vitimização” causada pelo exagerado interesse da imprensa. Ele disse que Kampsuch tinha acesso a qualquer tipo de informação. “A coisa mais importante é que ela aprenda sobre a vida e possa decidir o que realmente quer e o que realmente não quer”, afirmou. Kampusch estava pálida e trêmula quando escapou de seu cativeiro em Strasshof, um vilarejo perto de Viena, e pesava apenas 42 quilos, menos do que pesava aos 10 anos.