08 de julho de 2026
Nacional

Tesouro afasta risco de crise fiscal

Folhapress
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Rio - Sob uma enxurrada de críticas de economistas devido ao afrouxamento da política fiscal com a expansão de gastos públicos, o secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, afirmou ontem, em seminário no Rio de Janeiro, que “não há nada que sugira que estamos caminhando para uma situação de crise fiscal” em 2007. Bombardeado por economistas que apontam os reajustes do mínimo e do funcionalismo como causas do crescimento de 15,1% dos gastos da União no primeiro semestre, Kawall disse que não é correto projetar essa mesma trajetória de expansão das despesas no futuro.

“Não é razoável dizer que emerge da discussão da trajetória de receita e despesa do governo uma crise fiscal para 2007. Nem os mercados financeiros estão precificando isso nem é razoável pegarmos tendências de curto prazo (a alta de 15,1%) e extrapolarmos para médio e longo prazos como se nenhuma ação pudesse ser feita”, disse Kawall durante o seminário “Grau de Investimento - O Grande Desafio do Próximo Presidente”, promovido pela Associação dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro.

Antes dele, Carlos Langoni, ex-diretor do Banco Central, defendeu o “congelamento dos gastos correntes” do governo a fim de o país crescer mais e alcançar o grau de investimento - melhor patamar de risco, ao qual o Brasil está dois degraus abaixo (nota BB). Para ele, o crescimento das despesas reflete o reajuste do salário mínimo e seu impacto na Previdência Social, além do aumento de gastos sociais e com o funcionalismo.

O economista Luís Paulo Rosemberg, da Rosemberg & Associados, também criticou o reajuste de 16,7% do mínimo e o vinculou às eleições: “Vem um gaiato (Lula) querendo se reeleger e aumenta o salário mínimo mudando o patamar da despesa corrente”. Para Rosemberg, só o corte de gastos e a redução da carga tributária - 37,37% do PIB em 2005 - possibilitarão ao país ampliar o crescimento.