Os poucos redutos de cultura neste país estão conseguindo nos afugentar. Motivo: som alto, excessivo, insuportável. A exposição a ruídos muito elevados pode causar sérias alterações em nosso organismo. A Organização Mundial de Saúde alerta que um nível suportável de ruído é de até 55 decibéis. Acima disso há a possibilidade de perda auditiva, incômodos, intolerância, dor de cabeça, zumbido, sensação de ouvido tampado e lesões irreversíveis. Os técnicos de som devem sofrer desses problemas e acabam abusando da potência da aparelhagem em shows, eventos, espetáculos, cinemas e casas noturnas (sem falar dos barulhos domésticos, ocupacionais, urbanos e das igrejas evangélicas).
Lamentavelmente, isso está ocorrendo também no Sesc Bauru. Não dá mais para assistir a apresentações musicais em seu auditório, devido ao som altíssimo que é imposto aos freqüentadores. O Sesc é digno de elogio porque prima pela qualidade e excelência de sua programação musical, cultural e esportiva. O que seria de nós sem os ótimos espetáculos do Sesc, muitos fora do circuito comercial, a preços baixos e acessíveis? Mas, ultimamente, algo de discriminatório acontece, pois parte do público retira-se dos shows reclamando e permanece na sala de convivência para conseguir suportar o alto volume.
Ficam no auditório os mais jovens, já que cresceram em meio a ruídos excessivos. Infelizmente, as outras faixas etárias estão deixando de comparecer a boas apresentações, a exemplo do que acontece no Bar Armazém e outros lugares em que o som é ensurdecedor. Qualidade não se impõe com aumento de som, mas sim com bons produtos, de forma razoável e sensata.
Nos novos cinemas do Shopping também ocorre isso. Com som digital, em determinadas cenas ou propagandas, o volume chega a níveis insuportáveis, e, terminado o filme, perdura um mal-estar e dor de cabeça por muito tempo (por sinal, de que adianta tanta sala de cinema moderna e bonita se não reservaram nenhuma para filmes de arte? A programação está a desejar, quase toda de filmes americanos medíocres e comerciais, e os raros filmes bons ficam pouco tempo em cartaz).
Mas, voltando ao assunto, não há regulamentação e fiscalização dos níveis permitidos de decibéis? Urge uma tomada de atitude rápida e drástica antes que a poluição sonora acabe com a saúde, principalmente, dos nossos jovens. Tenham todos bom senso, não nos afastem do que a cidade tem de bom a nos oferecer.
Lúcia Helena B. Alves - professora de sociologia - RG 25.852.260-4