09 de julho de 2026
Internacional

Menina diz estar de luto pelo suicídio de seu seqüestrador

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Viena - A menina austríaca mantida seqüestrada por oito anos afirmou ontem que, “de certa forma”, estava de luto pela morte de seu seqüestrador, definido por ela como “parte de sua vida”.

Natascha Kampusch, 18 anos, disse não ter perdido nada durante os anos que passou com refém de Wolfgang Priklopil, 44 anos, um técnico em comunicações que se matou após a fuga da menina, na semana passada. “Ele era parte da minha vida. É por isso que eu também estou de luto por ele de certa forma”, afirmou em nota lida pelo psicólogo.

Ao explicar porque achava que não perdera nada, ela procurou ver o lado positivo do período que passou seqüestrada, alegando que não começou a fumar e beber e que não teve más companhias. “Em princípio, não tenho a sensação de que perdi alguma coisa.”

Natascha, que está sob cuidado psicológico e ainda não voltou a viver com a família, pediu para ser deixada em paz. “Todo mundo quer me fazer perguntas íntimas, mas isso não é da conta de ninguém”, disse. “Talvez eu conte um dia a um terapeuta ou a alguém mais quando sentir necessidade. Ou talvez nunca. A intimidade só pertence a mim.”

A polícia revelou que está apenas no começo de seu trabalho com a menina, levada aos 10 anos em 1998 quando ia para a escola. Natascha se referiu ao cativeiro em que era mantida presa como “meu quarto”.

Seu dia típico, descreveu, começava com um café da manhã na companhia do seqüestrador, que não costumava trabalhar. Depois, ela tinha várias ocupações. “Trabalhos domésticos, ler, TV, conversar, cozinhar. Foi isso, por anos.” Não ficou claro se essas ocupações eram na casa ou no cativeiro. A menina negou ainda que, como divulgado, chamasse Priklopil de mestre, mesmo que ele mandasse, porque achava que seu seqüestrador não falava sério.