11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bauru favorece a produção de biodiesel, afirma secretária

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Clima favorável, relevo adequado, localização geográfica estratégica, presença de agricultores familiares e terras subaproveitadas. Essas são apenas algumas das características apontadas pela secretária municipal da Agricultura, Maria Eugênia Gracia, para dizer que Bauru reúne condições ideais para abrigar uma indústria de processamento de biodiesel - o tão falado combustível do “futuro”.

Mas para discutir todas as implicações dessa cadeia produtiva e sua viabilidade econômica para todos os envolvidos, será realizado nesta quinta-feira, em Bauru, o 1.º Seminário Regional de Biodiesel. O evento, que terá como sede o tattersal do Recinto Mello Moraes, está sendo promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Sindicato Rural de Bauru, com apoio das secretarias de Agricultura e Desenvolvimento Econômico.

Contando com grandes palestrantes - como Frederic Abreu, do Ministério da Agricultura -, o principal objetivo do seminário é apresentar as políticas de produção e uso do biodiesel, suas perspectivas, as alternativas agrícolas para o Estado de São Paulo, possibilidades de investimento e a viabilidade da implantação de um pólo regional de produção de biodiesel.

“Nós queremos provocar discussões para elucidar todas as dúvidas, porque este assunto está mobilizando o País todo, mas ainda sabemos pouco sobre tudo o que envolve essa cadeia, que vai desde quem planta a matéria-prima, até a indústria que vai comprá-la. No momento, por exemplo, não é economicamente viável começar a plantar oleaginosas visando a produção do biodiesel, porque o preço pago aos produtores está baixo”, diz Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural.

Viabilidade econômica

Maria Eugênia ressalta que existem várias opções para investir na produção de biodiesel, como mamona, girassol, soja, amendoin e pinhão-manso, mas é preciso avaliar quais são mais viáveis do ponto de vista econômico.

“Existem várias fontes de oleaginosas que podem produzir biodiesel, mas a questão é saber qual produz num custo viável. E o custo viável não é só o da agricultura, pois a própria indústria tem que viabilizar isso diante do petróleo e do diesel comum, que é mais barato do que o biodiesel. Tecnicamente, Bauru reúne todas as condições favoráveis para essa produção, inclusive com muitas áreas subaproveitadas onde podem ser plantadas oleaginosas”, observa a secretária.

O pinhão-manso, árvore cujas informações sobre sua origem dividem-se entre Ásia, África e Brasil, está sendo apontado no momento como a cultura mais viável do ponto de vista econômico por ser perene. Segundo o diretor da Secretaria da Agricultura João Paulo Braga Araújo, a árvore pode durar até 100 anos e requer poucos cuidados para mantê-la saudável. A colheita ocorre em dez meses.

“Na região de Bauru existe pinhão-manso, mas elas (as árvores) surgiram espontaneamente, ninguém está plantando isso pensando especificamente no biodiesel. Apesar de ter viabilidade econômica por exigir baixo custo de produção, não há sementes de pinhão-manso à venda no mercado. Então, tudo o que diz respeito a matéria-prima que envolve produção de biodiesel deve ser analisado com muito cuidado, como por exemplo, quais são as culturas mais adequadas a cada região”, afirma.

Para debater todas essas questões e outras, como a necessidade do governo federal criar uma política agrícola específica para o biodiesel, sete palestras serão realizadas durante o seminário, que será realizado das 8h às 18h. Entre os temas abordados estão o programa nacional de produção do biodiesel, perspectivas do agronegócio brasileiro, plantas industriais, processos de extração do óleo vegetal e processos de comercialização.

• Serviço

O 1.º Seminário Regional de Biodiesel será realizado nesta quinta-feira, dia 31, no Recinto Mello Moraes, das 8h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelos telefones (14) 3234-2938 e 3226-3695.

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Legislação

Por lei, a partir de 2008 será obrigatória a adição de 2% de biodiesel em todo o diesel utilizado no País, subindo para 5% a partir de 2013. Para alcançar os 2%, serão necessários 800 milhões de litros de biodiesel para a produção nacional, de acordo com o diretor da Secretaria Municipal da Agricultura João Paulo Braga Araújo.

Para a secretária da Agricultura, Maria Eugênia Gracia, isso pode ser um incentivo para o desenvolvimento da cadeia que envolve toda a produção do biodiesel, entretanto, é preciso que todos os envolvidos trabalhem juntos para haver sucesso.

“O grande medo do produtor é de investir na plantação de matéria-prima e depois não conseguir vender a sua produção. Além disso, a lei também exige que exista 30% de participação de agricultura familiar em todo esse processo, mas não sabemos exatamente de que forma isso será assegurado. Então, cabe a nós discutir e lutar para que tudo isso aconteça na prática, pois todos os elos dessa cadeia têm que trabalhar juntos para que o negócio seja bom para todos”, ressalta.