08 de julho de 2026
Geral

ECA sofre com falta de comunicação

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Na era em que a tecnologia tornou possível a aproximação de pessoas em lados extremos do mundo, a comunicação desponta como um dos entraves à garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Falha, ela impede que projetos elaborados pelo poder público, iniciativa privada e entidades sociais obtenham a eficácia desejada.

Com o objetivo de reverter a situação e integrar os esforços existentes para fazer valer o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - muitas vezes divorciados um dos outros –, um evento promovido ontem pela Rede Social São Paulo reuniu cerca de 130 pessoas, de aproximadamente 15 cidades da região, na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

O encontro reiterou a idéia de que a integração entre atividades desenvolvidas por vários setores da sociedade é ponto de partida para desbancar as causas que tornam a juventude presa fácil para organizações criminosas e para o tráfico de drogas, por exemplo.

Quando a engrenagem formada por ações dirigidas a crianças e adolescentes estiver funcionando perfeitamente, questões como a diminuição da maioridade penal sairão de pauta. A avaliação é da diretora regional da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Maria Perroni.

“O que resolve são políticas públicas”, diz ela, também membro do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes (CMDCA). Mas para serem eficazes, elas devem trabalhar de modo articulado, acrescenta Perroni. Concorda com ela Benedito Luiz da Silva, diretor financeiro da Acib.

Verbo

“Falta entendimento, ligação ente os vários setores. Existem muitos melindres (entre as partes). Como disseram aqui, o problema não é verba, é o verbo”, afirma. Ele cita o exemplo dos empresários, que ainda encontram dificuldade em contratar aprendizes por falta de informação sobre o assunto. De acordo com Silva, a escassez de dados atinge até órgãos cuja competência é justamente explicar aos interessados os caminhos para a adequação legal.

O problema por pouco não levou o Consórcio Intermunicipal de Proteção Social (Cips) a fechar as portas, há quatro anos. Até hoje, em função de informações truncadas, muitos empresários ainda confundem responsabilidade social com filantropia, explica a assistente social do órgão, Marilúcia Mauad.

“Atualmente, atendemos cerca de 1.200 adolescentes. Trabalhamos com qualificação profissional e desenvolvimento pessoal”, conclui.