Todos os meses, em média 500 pessoas inadimplentes no comércio de Bauru negociam suas dívidas e acertam as contas com seus credores. Este resultado é fruto do trabalho de uma equipe de dez funcionários do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) que fazem o contato entre o lojista e o consumidor. Atualmente, existem mais de 4 mil nomes no cadastro de inadimplentes do órgão.
De acordo com o diretor do SPC, Sérgio Evandro Motta, um terço de todos os contatos feitos pela equipe do departamento de recuperação de crédito do órgão resultam em acordo. Segundo ele, esta é a maneira mais ágil e discreta para o devedor resolver suas pendências e ter o nome retirado da lista de inadimplentes do SPC.
“Se a pessoa tem dívida em mais de uma loja, por exemplo, a equipe do departamento de recuperação de crédito entra em contato com os lojistas e une todos os débitos em um só. Isso facilita a negociação do pagamento e evita que o consumidor precise ir de loja em loja se colocando à disposição para pagar sua dívida”, diz Motta.
De acordo com ele, os lojistas têm interesse em oferecer facilidades para que o consumidor liquide seus débitos. E quanto antes for fechado o acordo, melhor para o devedor. Segundo o diretor do SPC, assim que a pessoa faz o acordo e paga a primeira parcela da dívida, automaticamente seu nome é retirado da lista de inadimplentes.
“As empresas sempre facilitam as condições de pagamento para que os consumidores consigam eliminar seus débitos. Em muitos casos, as lojas dão isenção de 50% nos juros e multas. Mas há lojistas que dão até 100% de isenção, ou seja, cobram somente o valor da dívida original, sem contabilizar juros e multa. Por isso, é grande a quantidade de pessoas que fazem acordos todos os meses”, observa Motta.
Valores
De acordo com ele, o trabalho de telemarketing do departamento de recuperação de crédito é feito com todos os consumidores, independentemente do valor do débito. Mas segundo levantamento feito pelo SPC, cerca de 60% dos consumidores cadastrados possuem dívidas de até R$ 100,00. Outros 30% devem mais de R$ 100,00 e apenas 10% seriam os responsáveis pelas dívidas de grande valor, como as resultantes de financiamentos de veículos e empréstimos pessoais, por exemplo.
De acordo com Motta, o cadastro do SPC é altamente rotativo, mas não há como fazer um levantamento para traçar o perfil da maioria das pessoas que passam por essa lista, como por exemplo, idade e renda familiar.
Quem vai pessoalmente até a sede do SPC para buscar informações sobre sua situação, participa espontaneamente de uma rápida pesquisa feita pelos funcionários. A partir desses dados foi possível elencar as três principais razões que levam as pessoas a ficar inadimplentes no comércio de Bauru: descontrole orçamentário, por “emprestar” o nome a terceiros que fazem compras parceladas e não pagam corretamente e desemprego.
“O descontrole orçamentário geralmente ocorre em função de imprevistos, como um caso de doença na família, ou o carro que quebrou e precisou ser consertado com urgência. Nessas ocasiões, a pessoa acaba atrasando prestações no comércio. E o ‘empréstimo’ do nome ainda é muito comum, apesar de tantas matérias já divulgadas na mídia orientando sobre os riscos dessa prática”, observa Motta.