08 de julho de 2026
Regional

Mãe recua e tira acusado de cadeia

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - O ajudante de pedreiro J.E.M., 42 anos, ficou quatro dias preso na Cadeia Pública de Conchas após ser acusado, na segunda-feira da semana passada, de estuprar uma menor de 17 anos em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Na última sexta-feira, a mãe da menor voltou atrás e inocentou o acusado depois de ter apresentado a queixa na terça-feira passada.

A delegada Simone Alves Firmino Sampaio, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), explica que convocou a suposta vítima a comparecer à DDM para apresentar documentos e confirmar algumas versões colhidas com testemunhas do bairro. O caso sofreu uma reviravolta porque a mãe da moça foi em seu lugar e voltou atrás nas acusações. De acordo com Sampaio, a responsável pela menor sabia que a filha fazia programas. “Ela confirmou que a filha já conhecia o acusado, que era usuária de entorpecentes e só chegava em casa entre 5h e 6h da manhã. Ela disse que a história do estupro seria muito difícil de ter acontecido, achava que ele era inocente e foi preso injustamente”, relata a delegada. Além da nova versão apresentada pela mãe, a delegada colheu o depoimento de um comerciante de um bar confirmando que a moça fazia programas. Conforme Sampaio, a mãe alegou que no dia que representou a denúncia, na terça-feira, teria sido influenciada por pessoas e estaria sob efeito de remédios (calmantes). “Pela reação que ele teve com a Polícia Militar, tentando fugir, dava a entender que ele poderia ter cometido um crime sexual contra a moça”, ressalta. Imediatamente, a titular da DDM informou à Justiça sobre a retirada da acusação.

O inquérito policial foi arquivado porque a mãe renunciou a dar continuidade ao processo acusando o ajudante de pedreiro por crime de corrupção de menores. A delegada conta que foi feito exame de corpo de delito na menor para comprovar a relação sexual, mas o resultado ainda não foi apresentado.

Agora, J.E.M. afirmou que vai acionar o Estado, pois alega que teria sofrido violência dos policiais. No entanto, ele ainda não apresentou queixa na delegacia e nem se submeteu a um exame de corpo de delito. “O advogado falou que eu não posso deixar isso para trás porque eu trabalho e perdi meus dias de serviço por causa de coisa que eu não tive culpa”, alega.

Ontem, o ajudante de pedreiro disse que há mais de um mês conheceu a menor nas proximidades de sua residência, no bairro Lavapés, em um bar que freqüenta. Segundo J.E.M., nesse período vinha mantendo relações sexuais com a menor de 17 anos e que pagaria pelo programa cerca de R$ 15,00. Ele contou que foi procurado pela moça na noite de segunda-feira passada em sua residência para mais um programa. “Ela procurou nas minhas malas e não achou dinheiro. Daí deu as costas e foi embora. Mas eu prometi para ela que pagaria”, relata.

A menor acionou a polícia pelo 190. Depois das 23h, PMs chegaram em sua casa. De acordo com a versão de J.E.M., quando ele teria ido abrir a porta, os policiais já estavam dentro da residência. “Me jogaram por cima do muro e estou com a minha costela doendo até hoje. E os caras que estavam soltos (presos de Conchas) me bateram com rodo e me chutaram”, acusa.

Como estaria sentindo dores nas costelas, contou que teria ido, ontem, ao Hospital de Clínicas da Unesp Botucatu para se submeter a um raio X. O JC fez contato telefônico, ontem, com a Delegacia Seccional de Botucatu, porém a reportagem foi informada que o delegado seccional não estaria. Mesmo assim foi solicitado um contato posterior, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.