Depois dos conflitos de anteontem, quando quatro sem-terra do Movimento Terra Nossa foram feridos à bala, a liderança do acampamento resolveu pedir apoio a entidades, mas avisa que o grupo continuará no Horto Aimorés. Representantes Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) visitaram o local e manifestaram apoio.
A atitude partiu do líder do movimento, Celso Costa. “Diante dessa situação de conflito, nós convidamos entidades a nos apoiarem. Estamos numa situação de fragilidade e as famílias querem produzir estão amedrontadas. Não dá ficarmos aqui sendo constantemente ameaçados”, diz o líder, que afirma ter recebido ameaças de morte durante o tiroteio de anteontem.
Mesmo com o arquivamento do processo de desapropriação das terras, a idéia é permanecer no local. “O juiz extinguiu o processo por entender que havia conflito na área, mas não fomos nós que entramos em conflito com ninguém. Na ação de posse da terra, conseguimos a permanência. Sendo assim, ficaremos na área até que se tenha um decisão judicial”, destaca Celso, que afirma também que o Incra irá recorrer da decisão de arquivamento.
Para Sabrina Diniz, representante da Abra, a Justiça não tem colaborado com o movimento, chegando até a prejudicar. “Essa decisão judicial de arquivar o processo dá todo o amparo que o grileiro quer para ter esse tipo de atitude. Muitas vezes o judiciário corrobora com esse tipo de política”, opina.
No início da noite, líderes do movimento, representantes da CUT e da Abra se reuniram com os acampados para acalmar os ânimos, evitar o pânico e informar sobre a decisão de recorrer da decisão de arquivamento do processo.
Segundo os sem-terra, foram encontrados esconderijos onde, supostamente, os agressores que feriram quatro pessoas anteontem escondiam suas armas. As polícias Federal, Civil e Militar foram consultadas pelo JC e negaram ter apreendido armas escondidas no local.