09 de julho de 2026
Regional

Futura usina de Pederneiras integra projeto da Unesp

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - Inaugurada no último domingo, a Cooperativa de Catadores de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) deve atuar no recolhimento de materiais recicláveis que serão separados e prensados em uma microusina de recicláveis a ser instalada na cidade. A microusina vai integrar o projeto de criação de uma usina regional de compostagem de lixo desenvolvido pelo Departamento de Produção da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Segundo o professor e coordenador do projeto, Jair Manfrinato, da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru, a microusina de Pederneiras será a segunda a integrar o projeto, que já conta com outra microusina instalada em Lençóis Paulista. O objetivo é criar pelo menos mais uma unidade na região de Arealva-Iacanga. Essas microusinas servirão como unidades experimentais do projeto.

O projeto propõe a criação de cooperativas municipais e a criação de uma usina central de processamento do lixo em matéria-prima. Cooperativas seriam implantadas nos municípios com o objetivo de recolher e selecionar o lixo urbano. Pelo projeto, a usina ficaria localizada em ponto estratégico na região e faria o trabalho de recolha do material nas cooperativas das cidades. A matéria-prima final, o lixo reciclado, seria vendido para empresas e indústrias

A cooperativa de Pederneiras foi inaugurada no último domingo e possui cerca de 60 catadores associados. Segundo Manfrinato, a instalação dessas cooperativas e microusinas não tem custo alto para os municípios e, após instaladas, podem se manter sozinhas com a venda dos materiais para as indústrias. “A própria venda dos recicláveis mantém a cooperativa e ela diminui custos para a prefeitura otimizando o recursos público para poder fazer outras coisas”, explica.

O projeto desenvolvido pela Unesp conta com o apoio do Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder), órgão ligado ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que já realizou encontros com prefeitos da região para debater a proposta. Em uma dessas reuniões, alguns prefeitos apontaram como maior empecilho para a realização do projeto justamente a questão dos custos dos transportes dos materiais recicláveis até a usina regional.

A instalação de microusinas em regiões estratégicas, segundo Manfrinato, é a solução para baratear o custo do transporte dos materiais até a futura usina central de compostagem. Essa usina, que deve ficar localizada em ponto estratégico na região, faria o trabalho de recolha do material nas cooperativas das cidades. A matéria-prima final, o lixo reciclado, seria vendido para empresas e indústrias. “Em vez de ficar gastando muito dinheiro em transporte, vamos fazer os primeiros preparos nestas microusinas. Fazemos a compactação e diminuímos o volume”, conclui.

A prefeitura ainda não definiu o local onde será instalada a usina. Existe a possibilidade dela ser implantada no Distrito de Guaianás, onde antigamente funcionava o Tiro de Guerra. Conforme o JC divulgou no final do mês passado, a prefeita Ivana Maria Bertolini Camarinha (PV), deve receber da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) R$ 200 mil para ser investido na usina.

As obras devem começar ainda este ano. O processo de licitação para compra da esteira e da prensa e demais materiais da usina será aberto em breve, segundo a assessoria de imprensa do Executivo, que informou também que o município entrará com contrapartida de R$ 40 mil.

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Muito lixo, poucas soluções

De acordo com estudo da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru, a região tem uma população estimada de 700 mil habitantes, sendo que cada pessoa produz, em média, 600 gramas de lixo por dia. Mais da metade desta população concentra-se na cidade de Bauru. A pesquisa promoveu uma análise econômica do lixo e foi feita por alunos da graduação do curso de engenharia de produção. O estudo demonstra que se nada for feito para mudar a situação, as taxas de lixo instituídas pelas prefeituras irão se repetir infinitamente.

Para o vice-diretor da faculdade, professor Jair Manfrinato, que coordenou a pesquisa, “a idéia é solucionar e não gerar novos tributos. Implantar em cada cidade uma cooperativa, e a possibilidade de instalação de uma indústria de reciclagem para a região evitaria os gastos com transporte, já que hoje todo o material reciclável recolhido é enviado para a Capital ou Paulínea”, explica. De acordo com o IBGE, iniciativas intermunicipais como a do Coder já são realidade em 37% dos municípios brasileiros.

Da Redação