10 de julho de 2026
Internacional

Annan pede a premiê israelense fim do embargo aéreo ao Líbano

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Tel Aviv - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, conversaram ontem a respeito de decisões para prolongar o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, mas não houve acordo.

Durante visita a Israel, iniciada anteontem, Annan pediu que Olmert acelere o fim do embargo aéreo e naval imposto ao Líbano - para recuperar a economia libanesa e fortalecer o governo de Beirute.

Em resposta, Olmert disse que só encerrará o embargo quando se fizer cumprir a resolução 1.071 da ONU, ou seja, que soldados da ONU e do Líbano assumam controle da fronteira israelo-libanesa.

Israel também quer a devolução imediata dos soldados israelenses seqüestrados em 12 de julho pelo Hizbollah, ação vista como o estopim da nova onda de violência no Líbano.

A resolução 1.071 pede a retirada de todos os soldados israelenses que atualmente ocupam parte do sul do Líbano. O controle desta região será entregue ao Exército Libanês e aos soldados da força multinacional que dará apoio à Unifil (Forca Interina da ONU para o Sul do Líbano). A idéia é impedir lançamento de foguetes do grupo contra cidades no norte de Israel e fortalecer o cessar-fogo.

Durante o conflito, que durou 34 dias e “vive” um cessar-fogo desde o último dia 14, o Hizbollah lançou cerca de 4 mil foguetes contra Israel, causando danos a edifícios, deslocamento de cerca de 300 mil pessoas e parte das cerca de 200 mortes registradas no país.

Neste mesmo período, Israel lançou intensos ataques por ar, terra e mar contra o Líbano, deixando inúmeras cidades reduzidas a escombros, além de causar o deslocamento de cerca de 1 milhão de pessoas e causar mais de 1.200 mortes (a maioria civis).

Durante entrevista coletiva ontem, Annan reiterou que o bloqueio ao Líbano deve ser levantado. O embargo israelense sobre aeroportos e portos libaneses tem por objetivo barrar a entrada de armas para o Hizbollah. Em seguida, durante a mesma entrevista, Olmert reafirmou a exigência do cumprimento da resolução 1.071 para encerrar o embargo.

Annan disse ainda ao governo de Israel que fará tudo o que puder para conseguir a libertação dos três soldados israelenses seqüestrados pelo Hizbollah e por grupos terroristas palestinos, ocorridos em ações distintas. “Durante minha estadia no Líbano, falei sobre esse assunto com os mais altos dirigentes do governo e com ministros membros do Hizbollah. Não tenho motivos para achar que estejam mortos”, disse.

Após reunir-se com Olmert, o secretário-geral da ONU teve encontro com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que afirmou que o Oriente Médio não terá segurança antes da criação de um Estado palestino independente.

“A segurança e a estabilidade só serão instauradas garantindo que os palestinos recuperem seus direitos legítimos, a aplicação das resoluções internacionais, o estabelecimento de um Estado palestino independente e soberano com Jerusalém como capital e a solução do problema dos refugiados”, declarou.

Abbas afirmou ainda que que apresentará uma nova iniciativa para retirar da paralisia o processo de paz durante a próxima Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York, no próximo mês.

Durante suas declarações, Annan pediu o fim do bloqueio de Israel à Gaza. O secretário-geral da ONU deixou os territórios palestinos e já chegou à Jordânia.