Beirute - O subsecretário de Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, acusou ontem Israel de lançar um alto número de bombas de fragmentação nos últimos dias da guerra contra o grupo xiita Hizbollah no sul do Líbano, quando já estava sendo negociado um cessar-fogo no Conselho de Segurança, e qualificou a ação de “chocante” e “completamente imoral”.
Desde o fim dos combates, em 14 de agosto, ao menos 13 pessoas morreram, incluindo três crianças, e outras 46 ficaram feridas pela explosão das pequenas bombas, semelhantes a granadas, contidas nesses artefatos, disse Egeland em entrevista coletiva na sede da ONU, em Nova York.
As declarações foram atipicamente fortes para um funcionário da ONU. O porta-voz da missão israelense na organização, Anat Friedman, disse que não iria comentar.
Durante o conflito, Israel afirmou que visava apenas as bases terroristas do Hizbollah e que procurava poupar a população civil libanesa. Também acusou o grupo xiita de atacar deliberadamente civis, ao lançar foguetes contra zonas urbanas israelenses.
Grupos de direitos humanos, como o Human Rights Watch, acusaram os dois lados de cometer crimes de guerra. Segundo o subsecretário de Assuntos Humanitários da ONU, foram encontrados cerca de 100 mil bombas sem explodir em quase 400 pontos no sul libanês. Os dados foram obtidos após um exame de 85% das áreas bombardeadas.
“O que é chocante e, diria, completamente imoral é que 90% dos bombardeios com bombas de fragmentação ocorreram nas últimas 72 horas do conflito”, disse Egeland. “É inexplicável porque Israel acelerou (o bombardeio) quando o fim da guerra se aproximava e sabíamos que haveria uma resolução.”
As bombas de fragmentação, cujo uso não é ilegal, são formadas por uma cápsula que se abre e libera pequenas bombas, semelhantes a granadas, após o lançamento. Podem cobrir uma área equivalente a um campo de futebol e têm poder de destruir veículos blindados, mas não são armas de precisão.
“Ao afetar a população civil, constituem uma violação do direito humanitário internacional”, disse Egeland. “Este é o pior caso de contaminação por bombas de fragmentação em um pós-conflito que eu já vi”, disse Chris Clarke, chefe do serviço de desativação de minas da ONU na região.