10 de julho de 2026
Internacional

Marcha contra a insegurança pública paralisa Buenos Aires

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Três marchas contra a insegurança aconteceram simultaneamente na noite de ontem e paralisaram o centro de Buenos Aires - uma contrária ao presidente Néstor Kirchner, outra de aliados seus e uma terceira convocada pelo Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel. A segurança será um dos principais temas da campanha eleitoral para escolher o presidente e os governadores em 2007. Kirchner é o grande favorito, segundo pesquisas de opinião.

A primeira marcha foi convocada por Juan Carlos Blumberg, engenheiro e empresário têxtil argentino cujo filho, Axel, foi seqüestrado em 17 de março de 2004 e, seis dias depois, executado com um tiro na cabeça. Teve cantor de tango entoando o hino argentino, líderes políticos da oposição ao governo e representantes de quatro religiões.

Os manifestantes carregaram velas durante todo o protesto. Foi a quarta marcha liderada por Blumberg. O movimento de ontem era considerado como o teste final de popularidade do empresário - cotado para concorrer ao governo da Província de Buenos Aires em outubro de 2007.

Segundo ele, o ato não teve motivação política, apesar de ter recebido o apoio dos mesmos dirigentes políticos que querem vê-lo candidato. Entre as reivindicações de Blumberg estão a redução dos limites da maioridade penal, a mudança dos critérios da prescrição dos crimes e a implementação do julgamento por jurados.

Ele também se manifestou contra o projeto de reforma penal do governo. Ontem, após pedir que a multidão não vaiasse Kirchner, disse: “Sempre temos de respeitar o presidente, temos que ajudá-lo. Se o presidente vai mal, o país também vai mal”. Disse ainda que tentou entregar uma carta com suas propostas a Kirchner, sem sucesso.

Uma “contramarcha”, contrária às propostas de Blumberg, aconteceu ao mesmo tempo ao redor do Obelisco. Uma barreira policial foi formada para evitar o encontro dos manifestantes e evitar confrontos.

Convocada por Pérez Esquivel, a manifestação reuniu representantes de organizações sociais contrárias à redução da idade penal, à pena de morte e ao endurecimento das penas.

Ao chegar ao local, por volta das 18h, porém, Esquivel se disse surpreso ao ver um palco montado e a presença de milhares de manifestantes de grupos piqueteiros pró-Kirchner, comandados pelo mais polêmico aliado do governo, Luis D'Elia, líder piqueteiro que defende a expropriação de terras. Esquivel, que se recusou a subir no palco e fez sua marcha em separado.

D'Elia fez uma defesa veemente do governo e acusou Blumberg de marchar ao lado dos mesmos militares que promoveram a repressão durante a ditadura, referindo-se a militares da reserva que declararam apoio ao empresário.