As mulheres representam mais de 50% do eleitorado, não só em Bauru, mas no Estado de São Paulo e no Brasil. Os números mostram que o voto feminino pode decidir a eleição de 1o de outubro e é com base nesses dados que a vereadora Majô Jandreice (PC do B) pretende chegar à Assembléia Legislativa de São Paulo.
Candidata a deputada estadual pela segunda vez – em 1998 teve 6.992 votos – Majô acredita que desta vez pode se valer do trabalho como vereadora, como militante partidária, no movimento sindical e nos movimentos de mulheres, além da participação em conselhos locais, para conquistar as demais parcelas do eleitorado e não apenas as mulheres. “Eu tenho interferido naquilo que posso e dado minha contribuição, com idéias, participação, com conhecimento. São várias questões que eu espero possam se traduzir em votos”, destacou.
Apesar do apelo do voto feminino, como possível alavanca para sua candidatura, Majô ressalta que pretende ser eleita somando este e outros fatores. De acordo com ela, uma candidatura depende de vários fatores, além da vontade do eleitorado e condições de estruturar a campanha. A representação política da cidade e da região também deve ser levada em conta. “A região vem fazendo um apelo muito forte para que se aumente a representação política na Assembléia Legislativa, e isso poderá ajudar”, frisou.
Preocupações
A vereadora Majô Jandreice afirma que antes de fazer propostas é preciso esclarecer que muitas ações dependem mais do Executivo do que da atuação parlamentar. “Se você não tiver um governo centrado em algumas questões, fica difícil para o parlamentar atuar”, salientou. Para a vereadora, o papel do deputado estadual foi diminuído nos últimos anos, transformando-se mais em um braço do Executivo.
A principal preocupação da candidata se refere às áreas sociais, destacando, além de saúde e educação, os problemas de saneamento básico e habitação. “Na Assembléia, além de ser aquela função principal do parlamentar, que é fiscalizar o Executivo, é tentar interferir nessas áreas”, destacou.
Segundo Majô, Bauru e região foram abandonadas pelo governo do Estado e esse abandono vem causando um êxodo de pessoas que viviam na cidade, para outras regiões, em busca de melhores condições de vida. “É preciso trazer alguns implementos que hoje você não tem no interior, que são as escolas de formação técnica, a ciência, as questões tecnológicas”, disse.
Nas cidades menores, a vereadora ressaltou a necessidade de melhorar a condição de quem vive no campo, promovendo a agricultura familiar e o incentivo à produção. “A política de incentivo no Estado de São Paulo é muito ruim, é um desestímulo e a diminuição de recursos para essas áreas é significativa. A gente tem que cuidar disso para evitar que as pessoas saiam de suas cidades em busca de melhores condições”, frisou.
Segundo Majô, o êxodo provocado pela falta de investimentos no setor agrícola não garante melhoria na condição de vida. Ela ressaltou que muitas pessoas saem de suas cidades para viver em situação bem pior nos grandes centros e a situação de miséria que muitas encontram também contribui para o aumento da violência. “As pessoas precisam ter condições de escolher onde querem viver com dignidade”, salientou.
Projetos políticos
Cumprindo o quarto mandato de vereadora, Majô Jandreice afirma que chegou a hora de “galgar outros espaços” dentro da política. No entanto, ela não almeja vôos mais altos, pelo menos por enquanto. “Vamos por etapas. Nesse momento o objetivo é a Assembléia Legislativa, garantir uma boa representação para a cidade e a região, contribuir com o Estado e mais no futuro a gente avalia a possibilidade de ocupar outros espaços”, ressaltou.
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Aliança com PT
O PC do B, partido da vereadora Majô Jandreice, se coligou com o PT para a disputa das eleições proporcionais. A aliança entre as legendas não é nova, vem desde 1989, mas devido aos problemas recentes do PT, com denúncias de corrupção envolvendo membros do partido, a relação pode ter estremecido. Segundo a vereadora isso não ocorreu. Ela afirma que a aliança tem ajudado o PC do B ao longo dos processos eleitorais, e que não será diferente desta vez. “Nós temos dado nossa contribuição ao PT, mas o PT também nos ajudou nessas coligações”, frisou.
A candidata destacou, entretanto, que pode haver diminuição no número de cadeiras conquistadas pelo PT, mas isso não deve prejudicar, segundo ela, o desempenho dos comunistas nas eleições de outubro. “Do mesmo que alguns nomes de destaque não estão disputando a eleição, novos nomes estão surgindo, para preencher essa lacuna”, disse.
Para Majô, o espaço para candidatos do PC do B está muito maior do que antes, devido a atuação desses como parlamentares, seja na Câmara dos Deputados, seja na Assembléia Legislativa. “Nós temos nomes muito bons, não só com os que disputam a reeleição, mas com os novos, que têm trabalho para apresentar ao eleitor”, frisou.