08 de julho de 2026
Geral

MEC estuda curso de segurança pública

Por Alceu Luís Castilho | Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 2 min

Em reunião com o secretário da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) na semana passada, o representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública foi pego de surpresa: o MEC propôs a criação de cursos de graduação em segurança pública. A proposta vai além da política atual do governo, que lança no próximo dia 14 uma rede nacional de pós-graduação, lato sensu, dedicada ao tema.

A informação foi dada ontem em Brasília por Ricardo Balestreri, diretor do Departamento de Pesquisa, Análise de Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública da Senasp, órgão do Ministério da Justiça. Foi ele quem esteve na reunião com Nelson Maculan Filho, secretário da Educação Superior, e integrantes do grupo de Direitos Humanos do MEC.

A proposta já foi avaliada positivamente pelo ministro Fernando Haddad, segundo Balestreri, e pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Educação e segurança pública estão no centro do debate eleitoral.

O diretor da Senasp participou do Congresso Interamericano de Educação em Direitos Humanos, onde defendeu um novo modelo de segurança pública no País, baseado na formação adequada dos profissionais. A rede de pós-graduação, que será lançada simultaneamente em 22 universidades, visa exatamente criar uma nova cultura de combate à violência.

“Nas três últimas décadas trabalhamos com um modelo que não deu certo”, disse Balestreri. “Por isso precisamos construir uma nova mentalidade, um novo paradigma.”

Ele se recusou a definir o Primeiro Comando da Capital ( PCC) e o Comando Vermelho como crime organizado. Definiu os dois grupos como “chinelagem”, efeitos de uma matriz do crime organizado. Essa matriz, segundo ele, movimenta US$ 1 trilhão por ano no mundo, e é composta por pessoas “ilustres”, que não estão nos presídios brasileiros.

“Eles não estão nas páginas policias, mas nas colunas sociais. Não vivem em favelas, mas em mansões. Não traficam as drogas, fazem os negócios deles em Miami. E de preferência são poliglotas”, afirmou.

Balestreri disse que oligarquias importantes no Brasil se fizeram em cima do roubo de cargas. “Os colegas da Polícia Rodoviária Federal sabem disso, o difícil é provar”, disparou. “Não podemos gastar todo o tempo combatendo os PCCs, e não grande matriz de tudo isso. Combater somente o PCC é política de besta-fera, e não política inteligente”.