Inaugurado há quase um ano, mas funcionando desde janeiro, o Instituto Branemark, que tornou Bauru uma referência mundial na técnica de osseointegração, que permite recuperar partes do corpo unindo ossos e próteses com parafusos de titânio, inclusive dentes, tem um desafio pela frente: atender as cerca de 4 mil pessoas que estão na lista de espera. A partir deste mês, com a entrada do segundo centro cirúrgico em funcionamento, a expectativa é acelerar os atendimentos.
Até agora, dos pacientes atendidos, 40 já concluíram o implante e receberam alta, de acordo com a direção do instituto. A maioria deles fez implante dentário. Como a lista de espera já contava com 4 mil pessoas, as inscrições foram suspensas logo no início do ano. A expectativa da direção é de que, até março do ano que vem, a lista de espera seja “esvaziada” e as inscrições sejam reabertas. Por lei, 80% dos atendimentos têm de ser gratuitos.
De acordo com o professor sueco Per-Ingvar Branemark, pioneiro na técnica de osseointegração e fundador do instituto, esse período inicial, de quase um ano, serviu para que todas as arestas fossem aparadas e os processos “entrassem nos eixos”. O levado número de interessados não assustou Branemark. “Nós trabalhamos durante 40 anos ao redor do mundo, então sabemos como é grande a procura por serviços como o de implantes de próteses dentárias. Somente no Brasil existem cerca de 25 milhões de inválidos bucais”, explica o professor, se referindo às pessoas que não possuem nenhum dente na boca.
O sueco não esconde que muitos pacientes da lista de espera ligam para cobrar o instituo. “Tem gente que liga e fica brava porque ainda não foi chamada. Mas eles não sabem que estamos seguindo a ordem exata de inscrição. É preciso ter um pouco mais de paciência, pois todo esse processo da triagem até as cirurgias não tão simples. É importante frisar que ninguém deixará de ser atendido”, explica.
Segundo Branemark, mais de mil pessoas já passaram pela triagem. Durante esse processo, os funcionários da fundação descobriram que muitos pacientes não poderiam ser atendidos pelo instituto, pelo menos num primeiro momento. “Muitas pessoas não entenderam realmente o que é o instituto. Pensaram que funcionaria como uma clínica odontológica e vieram até aqui por problemas bucais simples. Quando verificamos isso, encaminhamos os pacientes para tratamentos específicos, geralmente em dentistas”, explica. Esse tempo “perdido” também atrapalha a agilidade do atendimento.
As pessoas que não possuem nenhum dente e as vítimas de mutilações provocadas por acidentes ou doenças como câncer e má-formação são prioridades. “Precisamos frisar que os próximos pacientes que tenham problemas bucais cuja prioridade não seja a implantação de próteses, devem procurar o tratamento adequado para só depois nos procurar”, afirma Branemark.
Devido a essas pessoas que fizeram as inscrições precipitadamente e a inauguração de mais uma sala de cirurgia, o professor acredita que todos na lista de espera possam passar, pelo menos pela triagem, até março do ano que vem. “Desses 4 mil (que aguardam atendimento), acreditamos que cerca de 1.500 serão redirecionados para outros tratamentos no momento da triagem. Além disso, a próxima equipe de médicos poderá atender o dobro de pessoas na próxima leva de cirurgias, pois o segundo centro cirúrgico já está pronto. Acreditamos que em março poderemos abrir um novo período de inscrições”, afirma.
Não existem equipes cirúrgicas exclusivas do instituto. As operações são feitas por médicos e dentistas voluntários, que são deslocados de várias partes do Brasil. “Eles fecham os consultórios deles vêm passar três ou quatro dias aqui, atendendo nossos casos. Dependendo do problema do paciente, demora um pouco para conseguir juntar a equipe necessária para o procedimento, principalmente em casos de mutilações por acidente, câncer e defeitos congênitos”, revela.
• Serviço
O telefone do instituto é (14) 2106-0006.
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Burocracia
O principal problema enfrentado pelo Instituto Branemark é a burocracia, segundo o professor e fundador do órgão, Per-Ingvar Branemark. “Estamos aguardando, há mais de uma ano, a liberação de diversos equipamentos que estão presos na alfândega. Somente com eles poderemos completar nossos centros cirúrgicos e aperfeiçoar o atendimento”, revela. Todos os aparelhos utilizados pelo instituto vieram da Suécia, transportados por meio marítimo até o Brasil.
Mesmo com a lentidão da burocracia brasileira, o professor afirma não ter se arrependido de escolher o Brasil como sede do seu instituto. “Não existe sensação melhor do que ver sentir a felicidade de um paciente reabilitado. Aqui eu sinto isso de uma forma intensa desde 1992, quando realizei as primeiras cirurgias. Nunca me arrependi dessa escolha”, se emociona Branemark, que faz questão de acompanhar a vida dos pacientes mais graves, que muitas vezes se tornam amigos.
“Me torno amigo de muitas dessas pessoas. Recentemente mesmo recebi a visita de uma paciente de Jaú, que tratei em 1992”, diz o professor, que mostra as fotos da mulher, vitimada por um câncer, que teve a face e a boca recuperadas.