Uma tentativa de fuga da Ala de Progressão da Penitenciária 1 de Bauru resultou num preso baleado e num princípio de tumulto, ontem no início da noite. Geraldo Custódio Filho, 30 anos, que cumpre pena no semi-aberto, foi ferido no abdome e socorrido ao Pronto-Socorro Central (PSC). No entanto, não foi ele quem tentou abandonar o complexo penitenciário.
O caso teve início quando Reinaldo da Silva Ceriaco, 26 anos, que também cumpre pena no regime semi-aberto, tentou deixar as dependências da Ala de Progressão adotando um comportamento, no mínimo, curioso. Ao invés de procurar um local ermo para ultrapassar o alambrado do complexo, ele caminhou em direção à torre, onde ficam os agentes de escolta.
Para agravar o contexto, era hora de contagem de presos e de troca de turno dos funcionários. Tanto que um outro agente de escolta se dirigia à torre para render o companheiro e ouviu um aviso sonoro dando conta da fuga. Em função da situação, o agente ainda em trabalho, do alto da torre, deu um tiro de advertência para inibir o detento que intencionava abandonar o local.
Socorro
Com o disparo, o rapaz caiu ao solo e sofreu um corte no lábio. O agente que estava em terra iria abordá-lo, quando percebeu que 50 presos do regime semi-aberto seguiam em sua direção. Para protegê-lo, o outro funcionário fez outros disparos do alto da torre.
Um deles acertou Custódio Filho, que despontava como líder do grupo. Até o fechamento dessa edição, ele seguia para o centro cirúrgico do Hospital de Base (para extrair o projétil que teria se alojado próximo ou na coluna). Revoltados com a situação, os detentos do regime semi-aberto da Ala de Progressão se espalharam, mas foram contidos pelos próprios funcionários da penitenciária.
Quando a Polícia Militar (PM) chegou ao local, eles já haviam sido recolhidos ao pátio da ala e conversavam com o diretor da Penitenciária 1, José Carlos Pedroso. Cerca de meia hora depois, a reportagem apurou que ainda era possível ouvir vozes em tons elevados. Depois, o volume foi baixando, até o local ficar silencioso.
O JC tentou contato com o diretor, mas ele informou que apenas a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) poderia prestar informações. No entanto, na noite de ontem, ninguém foi localizado na secretaria.
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Nova tentativa
Além de Geraldo Custódio Filho, Reinaldo da Silva Ceriaco também foi levado ao Pronto-Socorro. No local, ele tentou aproveitar o momento em que o baleado era socorrido para fugir, mas foi imediatamente controlado.
Depois de cerca de uma hora, saiu do PS com um curativo na boca exclamando que “um dia voltaria e que a terra iria tremer”. Sua fala dividiu as opiniões de quem estava nas proximidades. Uns apostavam na insanidade do rapaz, outros apontavam o comportamento como simulação.
Fato é que a iniciativa dele levou cerca de 40 policiais militares à Penitenciária 1, que permaneceram em alerta na área externa, próximo à Ala de Progressão. Somente uma hora e meia depois da ocorrência, começaram a ser dispensados. A PM levou o caso ao Plantão da Polícia Civil, que apreendeu tanto a arma do agente de segurança que efetuou o disparo quando a do outro, que lhe renderia no trabalho.
Pelo que a reportagem apurou, o disparo partiu de uma espingarda Taurus ponto 40. A outra arma seria revólver calibre 38. A ocorrência foi registrada como desobediência ao sinal de advertência e resistência, informa Ronaldo Divino, delegado que registrou o fato. No primeiro caso, a pena prevista é de 15 dias a seis meses de detenção. No segundo, de dois meses a dois anos.
Custódio Filho responderá ao processo independentemente da pena que já vinha cumprindo. Sua permanência no regime semi-aberto dependerá da avaliação do juiz de execuções penais, que também decidirá a situação de Ceriaco.