Chuvas com fortes rajadas de vento, a exemplo daquela da madrugada de ontem que queimou equipamentos de comunicação da Polícia Militar (PM) de Bauru e destelhou uma casa na Pousada da Esperança 2, podem ocorrer neste final de semana. É o que indica o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).
A Defesa Civil de Bauru estará alerta nos próximos dias para atender casos de temporais. “A previsão é de novas pancadas de chuvas ao longo do dia, no sábado (hoje) e domingo (amanhã)”, informa o técnico em meteorologia do IPMet Irineu Luís Cheque. Ontem, choveu apenas 8 milímetros em pouco mais de uma hora - das 1h40 à 2h50 - mas foi o suficiente para causar alguns estragos na cidade.
Isso porque o vento, que acompanhou a chuva, chegou a 50 quilômetros por hora e destelhou uma residência da Pousada 2. Já o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior-4 (4.º BPMI) teve aparelhos de telefonia danificados pela descarga elétrica. Durante a chuva, na madrugada, o telefone 190 da PM ficou sem comunicação.
Segundo o major Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante operacional do 4.º BPMI, o problema não afetou os atendimentos já que a demanda neste horário geralmente é baixíssima. “Não recebemos reclamação de ocorrências que deixaram de ser atendidas por causa da falta de comunicação com a polícia”, afirma.
Ele salientou que os rádios e telefone 190 estavam funcionando normalmente na manhã de ontem. Os prejuízos ainda não haviam sido computados, mas a previsão é que não fossem grandes. A PM supõe que um raio caiu próximo ao prédio do Batalhão, na rua Araújo Leite, 10-43.
Já o destelhamento de uma residência onde moram seis pessoas na Pousada 2 por pouco não acabou em tragédia. Elas assustaram quando ouviram o barulho da chuva caindo no telhado de amianto. Marcelo dos Santos precisou proteger os quatro filhos - sendo o mais novo de apenas 27 dias - e a esposa.
Rapidamente, levou-os para a sala e colocou um colchão em cima deles, com medo de um desabamento. Segundos depois, conta Santos, à metade das telhas da residência de três cômodos foi ao chão. A maioria caiu em cima da cama e do berço onde a criança estava dormindo antes. “Uma ventania muito forte. Tive que esperar a chuva melhorar e levei meus filhos e minha mulher na casa de um vizinho”, conta.
A família perdeu roupas, inclusive do bebê, um colchão de casal e outro que estava no berço. As telhas e toras de madeira também foram inutilizadas. Preocupados com a possibilidade de novas chuvas, a família ainda iria se decidir se ficaria na casa sem telhas ou dormiria mais uma noite na casa do vizinho. “Nessas horas, a gente tem que se ajudar. Nunca passei por isso, mas tenho certeza de que meus amigos também estariam do meu lado”, conta Márcio de Oliveira, o vizinho que socorreu a família. “Assustei quando Marcelo (Santos) chegou em casa aos berros”, completa.
Morando no local há quase três meses, Márcia Pedroso não sabia do risco que corria. A família paga R$ 70,00 de prestações mensais referente à compra da casa.
• Serviço
Quem puder ajudar a família de Marcelo pode entrar em contato pelo telefone 9142-9312 (falar com Márcio, vizinho da família).
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Umidade
A chuva, apesar de causar estragos, aumentou a umidade do ar que no início da semana atingiu ao 16% - a mais baixa dos últimos sete anos. Ontem, estava em 80% - acima do ideal de 75%.