Teerã - Um avião de uma companhia aérea iraniana pegou fogo ontem após aterrissar na cidade de Mashhad, no nordeste do país, matando ao menos 29 dos 148 passageiros, segundo a TV iraniana. Anteriormente, as agências de notícias e a rede de TV americana CNN, citando a mesma TV, davam conta de 80 mortos.
Ao menos 62 pessoas deixaram o avião sem sofrer ferimentos. Outras 47 foram levadas para hospitais, mas seu estado de saúde não foi divulgado. Os tripulantes saíram ilesos. “A tripulação e o piloto sobreviveram, e isso será de grande ajuda para apurar as causas do acidente”, afirmou o ministro iraniano dos Transportes, Mohammad Rahmati.
O avião de fabricação russa, um Tupolev Tu-154, pegou fogo logo após aterrissar em Mashhad. O incêndio teve início depois que uma das rodas do trem de pouso se soltou quando o avião pousava, segundo a rede de TV. Em seguida, o avião desviou da pista, chocou-se contra uma barreira e pegou fogo, segundo fontes aeroportuárias.
O vôo da companhia aérea Iran Airtours tinha origem na cidade portuária de Bandar Abbas, no Sul do país.
O novo acidente acontece apenas dez dias depois que um outro avião do mesmo modelo caiu no norte da cidade de Donetsk, na Ucrânia, matando 170 pessoas, minutos depois de enviar mensagens de socorro, durante uma forte tempestade. O vôo 612 da companhia Pulkovo seguia de Anapa, no mar Negro, para São Petersburgo.
“O avião estava subindo e descendo quando tentamos pousar. Quando pousamos, ouvi um barulhão embaixo do avião. O avião se inclinou para um lado e começou a deslizar no chão, e então o fogo começou na frente do avião”, disse um dos passageiros, no hospital.
Imagens de TV mostraram o avião partido ao meio ao lado da pista, com partes da fuselagem partidas. Bombeiros foram mostrados tentando extinguir as chamas, carregando corpos cobertos com mantas.
Mashhad, localizada a 1.000 quilômetros ao nordeste de Teerã, é visitada por cerca de 12 milhões de pessoas todos os anos, em sua maioria peregrinos que vão às diversas mesquitas xiitas que ficam na cidade.
Inicialmente, fontes do Ministério para Situações de Emergência russo apontaram como possível causa da tragédia na Ucrânia o impacto de um raio na aeronave, que voava em uma zona de tempestade e fortes turbulências. No entanto, especialistas e pilotos garantem que os sistemas de navegação dos aviões de passageiros são projetados para resistir a descargas elétricas de até milhares de volts.
Segundo o jornal “Izvestia”, o primeiro sinal de socorro enviado pelos pilotos do Tu-154 foi recebido quando o avião estava a uma altitude de 11.500 metros, que é a altura máxima atingida por este tipo de aeronave.
Especialistas dizem que o Irã tem problemas com a segurança aérea. Houve vários acidentes nas últimas décadas, muitos envolvendo aviões russos, como o Tupolev. As sanções norte-americanas à República Islâmica impedem o país de comprar novos aviões ou peças de reposição do Ocidente, o que o obriga a complementar sua envelhecida frota de Boeings e Airbus com aviões da ex-União Soviética.