São Paulo - A diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) caiu quatro pontos na semana em que o tucano mudou a estratégia de seu programa na TV e partiu para o ataque contra Lula, mostra a nova pesquisa do Ibope. Lula oscilou de 49% para 48% e venceria no primeiro turno, mas viu Alckmin subir de 22% para 25%.
Heloísa Helena (PSOL) continuou com 9%. Cristovam Buarque (PDT) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada. Os eleitores que dizem que vão votar nulo ou em branco são 8%, mesmo número dos indecisos. Lula tem 57% dos votos válidos. Para vencer no primeiro turno, precisa de mais da metade dos votos válidos.
A diferença caiu mais no segundo turno: era de 22 pontos e agora é de 15. Lula caiu de 54% para 51%. Alckmin subiu de 32% para 36%. A avaliação do governo Lula como ótimo ou bom oscilou de 44% para 43%. O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios brasileiros entre terça-feira e anteontem. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 14.820/2006.
Vox Populi
A pesquisa Vox Populi encomendada pela revista “Carta Capital”, que circulou ontem também indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem grandes chances de se reeleger já no primeiro turno. Segundo a pesquisa, Lula tem 50% de intenções de voto, contra 25% de Geraldo Alckmin. Na última pesquisa do instituto, divulgada em 7 de agosto, Lula aparecia com 45% das intenções de votos e Alckmin, com 24%.
A candidata da Frente de Esquerda à Presidência da República, Heloísa Helena, aparece em terceiro, com 9% das intenções. Cristovam Buarque tem 2%. Os outros candidatos não atingiram 1% das intenções de voto. Votos em branco, nulos, ou eleitores que não opinaram somam 14%.
A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 2.005 eleitores em 121 municípios brasileiros. A pesquisa está registrada sob o protocolo 14782/2006.
Torcida contra
Ontem presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou demonstrar otimismo com os números da economia do País um dia após a divulgação do baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre.
Em entrevista ontem no Palácio do Planalto, o petista disse estar convicto de que 2006 fechará com crescimento de 4% e atribuiu a queda nas previsões de desempenho da economia a pessoas que “torcem contra” o País.
O petista foi questionado sobre os números da economia. “Eu ontem tive a oportunidade de ver as informações do IBGE e elas estão dentro daquilo que nós prevíamos, ou seja, nós temos uma meta de crescimento de 4%. A economia e o crescimento são medidos por quatro trimestres, e eu vi muita gente assustada por causa do segundo trimestre, sendo que ainda faltam dois trimestres”, afirmou.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou anteontem que o Produto Interno Bruto do País subiu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano, derrubando as previsões de todos os analistas para o crescimento do País neste ano. Foi o pior resultado da economia desde o terceiro trimestre de 2005.
Apesar do discurso otimista do presidente, reservadamente no governo o ministro Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (presidente do Banco Central) já avisaram a Lula que o crescimento da economia em 2006 deve ficar em 3,5% do PIB. No mercado, há previsões até de que a taxa pode ser ainda pior, próxima de 3%.
Ontem, porém, Lula buscou manter a expectativa inicial do governo de atingir a meta de crescimento de 4% neste ano e afirmou que alguns têm de “parar de ficar torcendo para que as coisas dêem errado”.
“Porque nós, na verdade, temos convicção de que chegaremos à meta dos 4% a que nos propusemos chegar, vamos chegar à meta de fazer o Brasil crescer num ciclo duradouro de crescimento, que é o que o Brasil precisa efetivamente”, disse o presidente, para em seguida declarar que está “muito tranqüilo” com o futuro da economia brasileira. A torcida contra, naquilo que deixou entender o presidente, vem de setores da oposição.