09 de julho de 2026
Geral

Perto da morte, rapaz teve a melhor sensação de sua vida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

No filme “Linha Mortal”, de Joel Schumacher, cinco estudantes de medicina resolvem fazer uma experiência ousada para saber o que acontece quando uma pessoa morre. Eles mesmos se entregam como cobaias nessa experiência. A idéia é atravessar a fronteira entre a morte e a vida e retornar para contar aos outros o que viram ou sentiram nos poucos segundos ou minutos que permaneceram mortos.

O estudante de odontologia Bráulio Beccari de Oliveira, 19 anos, não precisou participar dessa arriscada experiência para saber o que existe do lado de lá da fronteira. Após um acidente de bicicleta quando tinha 14 anos, ele foi levado em estado grave para o hospital por causa de uma hemorragia interna.

Ele precisou passar por uma cirurgia de emergência e, enquanto os médicos tentavam “consertar” o baço danificado pela queda, Bráulio viveu um dos momentos mais agradáveis de sua vida. “Parece até irônico, mas foi isso que aconteceu”, afirma.

O estudante chegou a estar morto por um instante, mas voltou à vida logo em seguida. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda lembra o que sentiu nessa transição. “Primeiro tive uma sensação de dor, depois não senti mais nada. Era como se eu estivesse em um estado de paz absoluta. Foi o melhor momento da minha vida. Nunca senti nada tão agradável”, relembra ele.

Bráulio diz que não chegou a ver nada durante essa experiência. Foi tudo no campo da sensação. No entanto, outras pessoas que também passaram por isso relatam terem visto algo parecido com um espírito de luz e um túnel cheio de cores onde eles eram projetados.

Para o professor e filósofo Fausi dos Santos, professor da Universidade do Sagrado Coração (USC), essas visões e sensações não afirmam nem negam a existência de vida após a morte. Segundo ele, muitos estudos estão sendo feitos em torno desses fenômenos, mas por enquanto não existe nenhuma conclusão.

Ela lembra que alguns cientistas defendem a tese de que substâncias bioquímicas são produzidas pelo organismo no momento da morte. Segundo a tese, a função dessas substâncias seria causar um relaxamento físico e emocional no indivíduo. Seria uma espécie de calmante natural capaz de causar alucinações. Para os cientistas, seria uma forma de explicar os fenômenos.

De acordo com Fausi, existem relatos de pessoas que dizem ter visto o próprio corpo em uma mesa de cirurgia ou no local do acidente, por exemplo. “Alguns falam da presença de um espírito de luz, sem forma, que leva a pessoa a refletir sobre a vida, a fazer um exame de consciência”, conta o filósofo.

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Outros medos

Não é só a morte que amedronta o bauruense. Outros pesadelos estão sempre rondando a cabeça das pessoas. Uma rápida conversa com a população é suficiente para descobrir quais são os outros medos.

A cozinheira Neusa Alves, 56 anos, por exemplo, tem medo de perder a casa onde mora. Atualmente desempregada, ela vive a angústia de não saber se terá dinheiro para quitar as prestações da casa própria. “Se eu perder a casa, não vou ter onde morar”, afirma, preocupada.

Já o aposentado José Expedito Bruschi, 65 anos, tem medo da corrupção. Na opinião dele, é ela que desencadeia o que há de pior no País: violência, saúde e educação precárias e baixos salários, entre outros problemas. Segundo o aposentado, a corrupção na política acaba servindo de exemplo para outros setores da sociedade.

Já a cabeleireira Natália Lopes, 19 anos, tem medo da doença que não tem cura. “Ir morrendo aos poucos é pior do que morrer de repente. Ficar agonizando em uma cama é horrível”, opina.

Outras três pessoas apontaram a violência como a principal preocupação. Uma delas foi a faxineira Nice Moreira, 31 anos. Ela conta que nunca teve problemas com isso, mas morre de medo. “Não saio mais na rua à noite com medo de que aconteça alguma coisa de ruim”, revela.

A violência assusta também a bancária Patrícia Lage, 34 anos. Ao contrário de Nice, ela já sentiu na pele as conseqüências da falta de segurança. Patrícia foi assaltada dentro de casa há cerca de um ano e, desde então, vive preocupada em evitar que isso ocorra novamente.

A estudante Elisa Rios, 18 anos, também disse que dificilmente sai de casa à noite e quando sai escolhe bem o lugar onde vai. “Não temos liberdade para ir onde bem entendemos. Ao contrário, temos de nos trancar dentro de casa”, critica ela.