Desde o tempos dos nossos avós, fazer tarefa é uma atividade obrigatória para os estudantes. A diferença é que agora muitas escolas estão propondo novos modelos para se fazer o dever de casa, ajudando os alunos a fixar melhor o que aprenderam em sala de aula. E para isto aproveitam algumas atividades comuns ao dia-a-dia de crianças e adolescentes.
Navegar na Internet é um exemplo. Por meio da rede, é possível encontrar informações sobre os mais variados assuntos e levá-las para a escola. Pesquisar a fauna, flora e a questão da devastação da mata atlântica é uma das tarefas realizadas pelos estudantes da 1.ª série do ensino fundamental do Colégio Fênix. Lá, cada aluno é responsável por uma parte do trabalho. Depois de apresentarem o material aos colegas, eles vão fazer juntos um seminário relacionado ao tema que está sendo estudado em sala de aula.
Giovana Escudero de Godoy, 7 anos, está animada com o projeto. Ela está pesquisando sobre o macaco prego, animal típico da mata atlântica. “Eu só tinha visto este macaco no zoológico e na TV. Agora estou descobrindo sua família, a fêmea e os filhotinhos. É bem legal”, diz.
Já Thiago Eiras Colnaghi, 7 anos, é encarregado de encontrar informações do tucano, ave também comum na mata. “Minha irmã sempre ‘entra’ no Google e no Cadê (páginas de pesquisa da Internet) e eu também acho muitas coisas nestes sites”, conta.
Maria Paula do Amaral Leopaci, 6 anos, e Helena Ferreira Carrara, 7 anos, também alunas da 1.ª série do Fênix, gostam de fazer tarefa tradicional, proposta nos livros de exercícios e apostilas. “Prefiro principalmente as lições de matemática”, destaca Helena.
Mas, segundo elas, o dever de casa se torna mais atraente e interessante quando é necessário utilizar revistas, computador ou desenvolver outras atividades, como visitas, para entrar em contato direto com o material estudado. Helena, que pesquisa sobre a jabuticaba, pôde ver a fruta de perto, assim como Maria Paula. Sua tarefa foi estudar o palmito, típico na mata atlântica e também encontrado em conserva e vendido no supermercado.
Eleição
Falando em atividades do dia-a-dia, acompanhar a campanha eleitoral - recomendada a todos os brasileiros - é tarefa para os alunos das 3.ª e 4.ª séries do colégio Preve Objetivo. Durante o período anterior às eleições, eles devem analisar as propostas dos candidatos a presidente, governador, senador e deputados para o desenvolvimento da cidade e do País. E, para isto, ficam atentos ao horário político, reportagens e informações relacionadas à eleição que são transmitidas pela TV, jornais, rádio e revistas.
O dever de casa faz parte de um projeto interdisciplinar, explica Ana Rosa Janpaullo, pedagoga e diretora de educação infantil e ensino fundamental do Preve Objetivo. De acordo com ela, além de trocar informações sobre a campanha eleitoral, os alunos devem fazer uma espécie de divulgação dos candidatos na escola.
No final da atividade, será realizada uma votação para simular a eleição. “Os alunos treinam a redação e a língua portuguesa para fazer os textos e a matemática na hora de contar os votos. Ainda trabalhamos a questão da cidadania e a integração social.”
As amigas Ana Rita Rezende da Silva, Beatriz Soares de Moraes, e Juliana Pelegrino, todas com 9 anos e alunas da 3.ª série, aprovam esta tarefa. “É importante assistir para saber quem são os candidatos. Muitas vezes meus pais me acompanham nesta tarefa”, diz. “É uma lição de casa diferente, assim como na época do referendo, quando também fizemos uma votação na escola”, aponta Juliana.
Para diversos estudantes, as tarefas diferenciada, que estimulam o raciocínio e a criatividade, ajudam a fixar o conteúdo das matérias e aplicá-las na prática. É o que pensa Tainá Ferreira, 9 anos, também da 3.ª série do Preve Objetivo. “Desta forma aprendemos mais. Esta semana preciso entregar um trabalho sobre doenças causadas por vírus. Junto com uma colega de sala, estou pesquisando isto na Internet e assim acho mais fácil guardar as informações.”
Seus colegas de sala Victor Luiz Almagro Pereira e Izabella Castilho Zorzi, ambos com 9 anos, têm opinião semelhante. “Estou pesquisando sobre os vírus na Internet e vou até colocar as imagens deles no trabalho. Aprender desta forma é fácil”, comenta ele. “Ao invés de fazer tarefa das apostilas, acompanhar a campanha eleitoral, por exemplo, é mais interessante”, diz ela.