Há cinco anos, o grupo de pesquisa Sistemas de Potência e Técnicas Inteligentes (LSisPOTI), sob a coordenação do professor Adjunto André Nunes de Souza, da Faculdade de Engenharia (FE), Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, dedica-se à solução de problemas apontados pelo novo panorama do setor elétrico brasileiro.
Recentemente, a equipe teve seu quinto Projeto de Pesquisa aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e agora irá desenvolver um estudo junto a uma das maiores concessionárias de energia do País (Eletronorte). De acordo com o coordenador, desde 2002 o grupo atua em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em cinco empresas nacionais, AES Eletropaulo (SP), Grupo Votorantim (SP), Bandeirante Energia (SP), Manaus Energia (AM) e Eletronorte (região Norte). Desse total, três projetos já foram concluídos e dois estão em andamento na geração de produtos e inovação tecnológica para o setor elétrico.
Paulo Pedrosa, diretor da Aneel no período 2001 a 2005, um dos responsáveis pela regulamentação do setor, aponta a necessidade de evolução do setor energético. Na publicação da Aneel “Desafios da Regulamentação”, Pedrosa faz uma comparação com o setor das comunicações, que passou por uma verdadeira revolução tecnológica com o surgimento de inovações como fax, celular, computadores pessoais, Internet banda larga, e o setor energético praticamente é o mesmo de 50 anos atrás.
“Avanços tecnológicos revolucionaram e criaram novos mercados, mas muito pouco aconteceu no campo da energia. Ganhos de eficiência, como na geração de gás natural com ciclos combinados são observados, mas nenhuma revolução tecnológica, como os supercondutores, fusão nuclear ou utilização comercial de célula a combustível parece estar próxima”, aponta o ex-diretor da Aneel.
Diante da nova realidade do setor, onde hoje, após o processo de privatização, a energia transformou-se em um produto de mercado, surge a necessidade de ampliação de investimentos na busca por novas tecnologias, que permitam reduzir perdas e garantir a solução de problemas na geração, transmissão ou distribuição de energia. Nesse sentido, o programa federal de investimento em P&D, iniciado em 1998, vem conquistando, a cada ano, uma quantidade crescente de investimentos, projetos e, conseqüentemente, gerando inovações tecnológicas.
Desde 1 de janeiro de 2006, de acordo com a Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000, as concessionárias e autorizadas do serviço público de geração, os produtores independentes e as concessionárias de transmissão ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, 1% da Receita Operacional Líquida (ROL) em P&D. O que resultou em uma maior aproximação das universidades junto às empresas do setor elétrico.
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Fonte de recursos
O coordenador do grupo de pesquisas, professor André Nunes de Souza, avalia a possibilidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) como uma importante fonte de recursos que permitirá uma sinergia entre concessionárias, universidades e fabricantes de equipamentos, que poderão adotar as inovações geradas na pesquisa em produtos mais eficientes e baratos.
“Antes a universidade entrava apenas com a idéia, preparava-se um protótipo, que muitas vezes ficava na prateleira. Hoje o foco é industrializar esses produtos, buscando cada vez mais a independência tecnológica”, diz Souza.
A matriz energética brasileira é cerca de 80% de origem hidráulica. “Então, precisamos realizar pesquisas considerando esse cenário, pois assim, os benefícios chegarão mais rapidamente aos consumidores. Um outro fato é que as fontes alternativas (eólica, biomassa, PCH, biodiesel, etc) não são suficientes para suprirem todas as necessidades energéticas do País”, diz Souza.
Um outro ramo de pesquisa que está sendo desenvolvido pelo LSisPOTI da Unesp de Bauru é a aplicação de sistemas inteligentes no combate a fraudes e roubos de energia (perdas). Essa pesquisa poderá viabilizar formas de comercialização de energia elétrica. Neste sentido, os consumidores poderão se beneficiar dos iminentes avanços tecnológicos, uma vez que todas essas perdas são consideradas na elaboração da tarifa.
“Então, se nós conseguirmos minimizar essas perdas, haverá possibilidade de abatimento nas contas de energia, uma das principais preocupações da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), ou seja, um fornecimento de energia elétrica com qualidade e a um preço mais barato”, finaliza o pesquisador.