O ex-prefeito e candidato a deputado estadual Nilson Costa (PPS) afirmou que não terá problemas em ser eleito, porque a população confia no trabalho que realizou enquanto era prefeito de Bauru. Para ele, os problemas que marcaram sua administração, quando chegou a ser afastado do cargo, não vão atrapalhar sua candidatura. “Ao longo da história de Bauru, cada prefeito fez sua parte, dentro da conjuntura do país e de acordo com a composição da Câmara Municipal”, ressaltou.
De acordo com ele, a eleição de outubro será como a que o elegeu prefeito em 2000, quando as pesquisas divulgadas davam vitória a outro candidato, mas quem acabou eleito foi ele. “Chegou novamente a minha vez, como foi para prefeito. Eu sinto na cidade um clima, que a população agora está entendendo, que eu tive muitas dificuldades por causa de uma resistência burra aos projetos importantes para a cidade”, alfinetou.
Para ajudar, o ex-prefeito afirmou que está distribuindo uma revista, listando obras que foram realizadas em sua administração. “Não há como enganar o povo porque as obras estão todas relacionadas, e a pessoa pode ir em cada lugar para ver o que foi feito. A população está entendendo que a administração era correta e fez muito diante das circunstâncias”, argumentou.
Apesar dessa defesa de sua administração, Nilson Costa disse que não pretende mais disputar cargos no Executivo. “A prefeitura é um projeto que eu já dei minha contribuição, tendo que enfrentar calúnias, injúrias e difamações. O Poder Legislativo seria uma forma de dar vazão à minha experiência política”, ressaaltou.
“Perseguição”
Costa afirmou que sua gestão foi marcada pela resistência dos vereadores a projetos apresentados por ele. “Se você pega uma Câmara politiqueira e odiosa, ela atrapalha o desenvolvimento da cidade. Eu cito um exemplo: o tratamento de esgoto. Nós tínhamos praticamente garantida a verba de R$ 60 milhões do governo federal e os vereadores só votaram no último dia, reduzindo o valor para R$ 25 milhões, e colocaram duas ou três emendas que atrapalharam o projeto padrão da Caixa Econômica Federal”, ressaltou.
A atuação à frente da prefeitura, aliás, tem sido o foco da campanha do ex-prefeito. No entanto, ele afirma que não está aproveitando a campanha para prestar contas, mas apenas para mostrar o que fez pela cidade. Em contrapartida culpa a Câmara Municipal pelo que não realizou. “A Câmara nos impediu de aplicar um processo justo de cobrança do IPTU, só para citar um exemplo”, comentou.
Contas
Nilson Costa também argumenta que, apesar de ter todas suas contas rejeitadas, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) não tem nada contra ele, mas apenas cobrou maior severidade na cobrança da dívida ativa da prefeitura. “O Tribunal não me acusa de nenhuma falcatrua, apropriação indébita, nenhuma improbidade, apenas ser mais severo nas cobranças”, salientou.
Segundo ele, foi feito o possível para que a dívida ativa fosse paga, mas a população não teria capacidade de arcar com essa despesa. “Quem tem condições são os magnatas, mas esses não pagam porque não querem. Se Bauru tem R$ 90 milhões para receber, mais da metade é desses grandes, que devem importâncias vultosas e não pagam”, disse.
Para o candidato, as contas só não foram aprovadas porque o Legislativo Municipal o persegue, já que poderiam ter rejeitado o parecer do TCE. “Você tem um exemplo em Agudos: o Tribunal de Contas rejeitou duas contas do atual prefeito, e a Câmara de lá derrubou o parecer do TCE e aprovou as contas por unanimidade”, destacou.
Apesar dos problemas com a rejeição das contas, o ex-prefeito não teme que os órgãos eleitorais possam cassar sua candidatura, ou o diploma de deputado, caso seja eleito. “Não acho que haverá problemas, já recorri ao Poder Judiciário”, frisou.
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Bauru+10
É com base no trabalho do grupo Bauru+10 que o ex-prefeito Nilson Costa pretende atuar, caso seja eleito deputado estadual. “Vamos trabalhar com base no diagnóstico que o grupo Bauru+10 fez dos problemas da cidade, e com as propostas para alcançar o ideal de desenvolvimento sustentável, que é o avanço econômico, com justiça social, o respeito ao meio ambiente. Quer dizer, não o crescimento a todo o custo”, disse.
O Projeto Bauru+10 foi uma iniciativa supra-partidária de diferentes segmentos da organização civil bauruense, que levantou demandas da sociedade nos segmentos sociais, políticos, econômicos e culturais, percorreu as fases previstas para definir um planejamento estratégico para a cidade de Bauru para o período de dez anos.
Para Nilson, além de cumprir os requisitos de um deputado, participando da fiscalização da coisa pública, lutando pelas reivindicações de Bauru e região e se dedicando à área social, o parlamentar deve atender os anseios da comunidade na Assembléia Legislativa. “A gente já tem essa diretriz do trabalho do Bauru+10, que foi um trabalho técnico, elogiável e que serve de bússola para os governantes. O candidato a deputado que anuncia que vai fazer várias coisas está fazendo demagogia.”, frisou.