09 de julho de 2026
Bairros

No PS, detento faz refém e tenta fugir

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Em 21 anos de profissão, a auxiliar de enfermagem Valdíria Hypólito Omena, 53 anos, nunca tinha passado por um momento tão angustiante. Ontem, no início da tarde, ela foi feita de refém por um presidiário do Centro de Detenção Provisória (CDP) que estava sendo atendido no Pronto-Socorro Central. Poucos metros depois, ele soltou a vítima e tentou fugir da unidade, mas foi pego pela Polícia Militar (PM) ainda no estacionamento.

Silas Gozi Alves, 22 anos, estava cumprindo pena em regime semi-aberto por roubo no Instituto Penal Agrícola (IPA) e segundo informações extra-oficiais, tinha apenas nove meses a cumprir. No domingo, ele foi surpreendido com um celular e R$ 60,00 dentro de sua cela. Após a infração, ele voltou ao regime fechado e foi encaminhado ao CDP.

Ontem pela manhã ele estava se queixando de dores nas costas e no abdome, inclusive disse aos agentes penitenciários que estava vomitando sangue. Por conta disso, ele foi encaminhado ao PSC. Segundo informações do delegado Ismael Cavallieri, do 3º Distrito Policial - onde a ocorrência foi registrada -, durante o percurso o presidiário entortou as algemas batendo o objeto na fuselagem do veículo de transporte.

Ao ser atendido no PSC, ele aproveitou o momento que foi deixado sob os cuidados da enfermagem abriu as algemas das suas mãos. O detento pegou uma agulha das mãos de Omena, mas depois alcançou uma tesoura e, segurando a auxiliar de enfermagem belo pesco com uma “gravata”, a ameaçou com o objeto. A enfermeira Vandercei Mozela Gimenez Raphael, que estava com Omena no local, também foi ameaçada.

Segundo a auxiliar de enfermagem, Alves a arrastou por alguns metros e depois a jogou contra os aparelhos que estavam no local. Ela arranhou o braço direito e a mão. Após deixar a auxiliar de enfermagem, o presidiário, ainda algemado pelos pés, correu pelo pátio do PSC, mas foi surpreendido pelos policiais militares Fábio Luiz de Souza e Gisele Regina Correa, da Base Noroeste, que estavam no local.

Souza, apontando a arma, mandou Alves largar a tesoura e deitar no chão, mas o presidiário só obedeceu na segunda ordem. Ele foi imobilizado pelos PMs e levado ao 3.º DP, onde foi lavrado o boletim de ocorrência sobre a tentativa de evasão mediante violência contra pessoas. Ainda muito nervosa, Omena conta que foi a primeira vez que atendia um presidiário.

“Foi tudo num segundo. Ele tomou a tesoura e ameaçou. Ele disse que era para eu ficar sossegada, que ele só queria fugir”, relembra. No 3.º DP, Alves garantiu que não queria machucar ninguém. Ele foi novamente encaminhado ao CDP.