07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Utopia


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Como rotina, faço minhas caminhadas de manhã, aproveitando o ar puro que exala das matas, fincadas nos córregos ribeirinhos de Bauru.

A água cristalina reflete a pureza, o oxigênio e a vida abundante dos peixes e insetos enriquecendo o solo, tornando-o, assim, fértil. O esgoto, ao ser despejado no rio, é tão transparente que dá a impressão de ser potável. Todo este esforço para o tratamento da água, oriundo das indústrias, vem da consciência dos empresários, que primam pela máxima: rio limpo é rio com vida. O poder público também está irmanado nesta conservação da fauna e flora, trabalhando ativamente na construção de estações para o tratamento deste líquido valioso, despejando nos córregos bauruenses 80 miligramas de oxigênio por litro d’água (no mínimo).

Caminhando ainda um pouco mais, me deparei com um grupo de jovens distribuindo folhetos e, ao mesmo tempo, lançando campanhas para mobilizar e sensibilizar a população no intuito de revitalizar não somente os córregos que singram nossa cidade, mas o meio ambiente como um todo. Pergunto a um morador próximo às margens do córrego sobre a preocupação de uma possível enchente.

Feliz e com convicção, me disse: nunca mais, pois houve um trabalho bem-feito por parte das autoridades em construir barreiras de concreto armado nas margens da via expressa para dificultar o alagamento, tudo isso para a segurança dos moradores que por ali habitam. Durante todo o percurso que fiz, o mais surpreendente foi observar minuciosamente que, desde o ponto de partida até o local onde me encontrava, não vi nada de poluição, como isopor, garrafas plásticas, sacos de lixo, entre outras imundícies. Não foi surpresa quando vi um jovem tentando içar um balde de plástico, que por descuido de alguém deve ter caído no rio.

Demorou, mas hoje vejo recuperado os córregos de Bauru. E essa ressurreição se deve, principalmente, às pessoas com total consciência, arregimentando mais seguidores em defesa da conservação e de um trabalho cada vez mais intensivo em prol do meio ambiente.

Hoje é possível desfrutar desta luta árdua da população, nadando ou pescando como forma de lazer ou simplesmente tirando fotos da mais bela paisagem da mãe natureza. Tenho certeza que esta conquista da conservação da fauna e flora dos córregos só foi possível graças pelo aspecto cultural de cada cidadão.

Paulo Roberto dos Santos